Ginecologista explica o que pode causar falta de lubrificação vaginal

Ressecamento íntimo nem sempre está associado ao desejo: respostas físicas e emocionais fazem parte do processo

atualizado

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A falta de lubrificação vaginal é uma queixa frequente nos consultórios ginecológicos e pode afetar mulheres de diferentes idades. Apesar de muitas associarem o problema à falta de desejo sexual, especialistas alertam que o ressecamento íntimo também pode estar ligado a alterações hormonais, medicamentos, estresse e hábitos inadequados de higiene.

A redução do estrogênio é uma das causas mais comuns do problema, principalmente durante a menopausa, pós-parto e amamentação. Além disso, ansiedade, cansaço e algumas doenças crônicas também podem interferir na resposta natural do corpo.

O ginecologista Igor Trotte, que atende no Rio de Janeiro, explica que fatores emocionais e físicos costumam atuar juntos no desenvolvimento do quadro. “A falta de lubrificação vaginal pode ter várias causas, mas uma das mais frequentes é a queda hormonal, especialmente do estrogênio”, afirma.

Segundo o especialista, o uso excessivo de produtos íntimos também merece atenção. Duchas vaginais e sabonetes agressivos podem alterar o equilíbrio natural da região íntima, favorecendo irritações e ressecamento.

Desejo sexual e lubrificação não são a mesma coisa

Muitas mulheres sentem culpa ou preocupação ao perceber dificuldade de lubrificação durante a relação sexual. No entanto, os médicos reforçam que desejo e resposta física não funcionam da mesma maneira.

O ginecologista Diney Soares Albuquerque, do Hospital Mantevida, destaca que a falta de lubrificação não significa necessariamente ausência de interesse sexual. “A lubrificação é uma resposta física; o desejo é um estado mental e emocional”, explica.

Além das questões hormonais e emocionais, alguns medicamentos também podem impactar a saúde íntima. Antidepressivos, anticoncepcionais, antialérgicos e descongestionantes estão entre os principais remédios associados ao ressecamento vaginal.

Como melhorar a lubrificação vaginal no dia a dia

Pequenas mudanças na rotina podem ajudar a preservar a lubrificação vaginal e reduzir episódios de ressecamento íntimo. Especialistas recomendam evitar duchas vaginais, sabonetes perfumados e produtos muito agressivos na região íntima, já que eles podem alterar o pH natural da vagina e comprometer a proteção da mucosa.

Além disso, hábitos ligados à saúde física e emocional também influenciam diretamente na lubrificação vaginal. Dormir bem, controlar o estresse, praticar atividade física regularmente e manter boa hidratação ajudam o organismo a funcionar de forma equilibrada, inclusive na resposta sexual.

Outra orientação importante é não sentir vergonha de usar lubrificantes durante a relação sexual. Produtos à base de água podem ajudar a diminuir o atrito, aliviar desconfortos e melhorar o prazer, principalmente em períodos de alterações hormonais, como menopausa e pós-parto.

Quando o ressecamento precisa de avaliação médica

Episódios pontuais de secura vaginal podem acontecer em diferentes fases da vida. O problema passa a exigir investigação quando os sintomas começam a afetar o conforto, a autoestima ou a qualidade de vida. Dor durante a relação, ardor, fissuras, irritação frequente e infecções urinárias recorrentes são alguns sinais de alerta.

Trotte afirma que o quadro pode estar relacionado à síndrome geniturinária da menopausa, condição comum e ainda pouco diagnosticada.

Para Albuquerque, o tratamento deve ser individualizado e pode incluir mudanças de hábitos, hidratantes vaginais, lubrificantes à base de água e terapia hormonal. “Lubrificantes não são muleta, são parceiros. Eles ajudam a evitar atrito e aumentar o conforto e o prazer”, conclui.

Por isso, embora a falta de lubrificação vaginal ainda seja tratada como tabu por muitas mulheres, especialistas reforçam que o sintoma não deve ser ignorado, principalmente quando passa a causar desconforto frequente ou impacto na vida sexual. Identificar a causa do ressecamento é fundamental para definir o tratamento mais adequado e recuperar a saúde íntima e a qualidade de vida.

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