Nutris explicam como o gengibre pode ajudar a controlar a glicose
Comum em receitas, o gengibre pode ajudar a reduzir picos de açúcar no sangue. Porém, especialistas alertam que ele não substitui tratamento
atualizado
Compartilhar notícia

Muito usado em chás e diferentes preparações culinárias, o gengibre é um ingrediente conhecido tanto pelo sabor marcante quanto pelos possíveis benefícios à saúde. A raiz, normalmente presente na gastronomia e em preparos caseiros, também vem sendo estudada por seu potencial efeito sobre o metabolismo, inclusive no controle da glicose.
A nutricionista funcional e esportiva Thaís Barca, da clínica CliNutri, explica que alguns estudos clínicos já observaram efeitos positivos da raiz sobre o metabolismo da glicose.
“Existem pesquisas sugerindo que o gengibre pode ajudar no controle do açúcar no sangue. Alguns estudos mostram que o extrato da raiz reduziu o pico de glicose após a ingestão de carboidratos quando comparado a grupos que não consumiram o composto”, afirma.
Segundo a nutricionista, investigações com pessoas com diabetes tipo 2 também apontaram que o consumo regular do gengibre por alguns meses pode estar associado à redução da glicemia de jejum, da hemoglobina glicada e da resistência à insulina.
No entanto, a especialista destaca que as evidências científicas ainda são limitadas e que o ingrediente não deve ser visto como tratamento principal.
“O gengibre pode atuar como um coadjuvante no controle da glicose, mas não substitui medicamentos, atividade física e alimentação equilibrada, que continuam sendo as principais estratégias”, explica.
Como o gengibre pode atuar no organismo?
O interesse científico pelo gengibre está ligado principalmente aos seus compostos bioativos, como gingeróis e shogaóis.
Segundo a nutricionista Caroline Romeiro, gerente técnica do Conselho Federal de Nutrição (CFN), esses compostos parecem atuar em diferentes processos relacionados ao metabolismo da glicose.
“Estudos apontam mecanismos como aumento da captação de glicose pelos tecidos, melhora da sensibilidade à insulina e modulação de enzimas ligadas ao metabolismo dos carboidratos”, detalha.
Além disso, essas substâncias também podem ajudar a reduzir processos inflamatórios e o estresse oxidativo no organismo, fatores que influenciam diretamente o equilíbrio do açúcar no sangue.
A especialista ressalta, no entanto, que observar um mecanismo biológico possível não significa necessariamente que o benefício ocorrerá de forma consistente em todas as pessoas.
Outros benefícios do gengibre
A nutricionista Taynara Abreu, do Hospital Mantevida, diz que a raiz tem efeitos digestivos e anti-inflamatórios bem conhecidos.
“O gengibre pode ajudar na digestão, reduzir náuseas, gases e desconfortos gastrointestinais. Além disso, possui compostos antioxidantes que contribuem para diminuir processos inflamatórios no organismo”, afirma.
Ela acrescenta que o alimento também pode colaborar com o funcionamento metabólico e com a saúde cardiovascular quando faz parte de uma alimentação equilibrada.

Existe melhor forma de consumo?
O gengibre pode ser consumido de diversas formas no dia a dia. Ele aparece frequentemente em chás, sucos, molhos, sopas e diferentes preparações culinárias.
De acordo com Taynara Abreu, não existe uma única forma considerada superior para aproveitar seus benefícios.
“O gengibre pode ser usado fresco nas receitas, em chás, sucos ou até na forma de pó como tempero. O mais importante é que o consumo seja regular e inserido dentro de uma alimentação equilibrada”, explica.
Ela destaca que a versão fresca tende a preservar melhor os compostos ativos, mas todas as formas podem contribuir quando fazem parte de uma dieta variada e saudável.
