Novo tratamento para câncer de próstata promete evitar impotência

Técnica criada por médicos britânicos tenta aumentar a preservação dos nervos responsáveis pela atividade sexual

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atualizado 21/11/2019 12:46

Uma nova técnica cirúrgica para tratar câncer de próstata promete poupar os pacientes de um dos mais temidos efeitos colaterais da operação: a impotência. Criado por cientistas britânicos, o procedimento pretende melhorar a preservação dos nervos vitais para a função sexual.

A técnica foi criada a partir de uma pesquisa envolvendo cerca de 40 homens. Durante a cirurgia a próstata é removida preservando-se os nervos. A próstata retirada é encaminhada para análise microscópica feita por um patologista. Caso nenhum tumor seja detectado na área adjacente aos nervos, a cirurgia é concluída. Se a região apresentar evidência de câncer, o cirurgião remove somente os nervos atingidos, garantindo que as células cancerígenas sejam retiradas sem que todos os nervos responsáveis pela ereção sejam sacrificados.

“Os nervos responsáveis pela ereção são estruturas delicadas que ficam coladas à próstata. Durante a cirurgia é necessário separar os nervos e a próstata tomando os devidos cuidados tanto para que não fiquem restos de próstata junto aos nervos quanto para não lesá-los durante essa separação. A inovação deste procedimento é aumentar a margem de preservação dos nervos, ou seja, retira-se a próstata e mantém-se os nervos caso não haja infiltração de células cancerígenas”, explica Dr. Alexandre Cavalcante, urologista do Hospital Sírio Libanês Brasília.

Nos procedimentos feitos atualmente, busca-se preservar os nervos. Mas, em caso de suspeita de invasão destes nervos, o protocolo é retirá-los, priorizando a remoção completa do câncer, uma vez que a análise microscópica durante a cirurgia ainda não é adotada.

Greg Shaw, médico da University College London que lidera a pesquisa, reforçou em entrevistas que a tendência médica é “não poupar os nervos se houver um risco de deixar o câncer para trás”. Com a nova técnica, contudo, o médico frisou que, quanto mais tecido nervoso for deixado, maiores as chances de um homem continuar sexualmente ativo após a cirurgia.

Por enquanto, o procedimento está sendo oferecido somente na Inglaterra, nas cidades de Londres, Bristol, Sheffield e Glasgow. O estudo ainda está em andamento e testará se a técnica é clinicamente eficaz e adequada para o Serviço Nacional de Saúde (NHS) britânico. Caso seja, a expectativa é que a cirurgia esteja disponível nos próximos cinco anos.

O câncer de próstata é o tumor que afeta a próstata, glândula localizada abaixo da bexiga e que envolve a uretra, canal que liga a bexiga ao orifício externo do pênis. É a segunda causa de morte por câncer em homens no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. A estimativa é de 66,12 casos novos a cada 100 mil homens.

A doença é confirmada após fazer a biópsia, que é indicada ao encontrar alguma alteração no exame de sangue (PSA) ou no toque retal.

Entre os principais fatores de risco estão idade (no Brasil, a cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata, nove têm mais de 55 anos), histórico de câncer na família, sobrepeso e obesidade. (Com informações do portal Daily Mail)

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