Nova técnica pode aumentar comprimento do pênis em homens trans
Técnica TCM aumenta o comprimento do pênis em homens trans e preserva ereção e sensibilidade, explica urologista

Uma adaptação da metoidioplastia desenvolvida no Brasil pode ter a capacidade de aumentar o comprimento do pênis em homens trans, sem comprometer características consideradas essenciais por muitos pacientes, como a ereção natural e a sensibilidade. Chamada de TCM (Total Corpora Mobilization, ou Mobilização Total dos Corpos Cavernosos), a técnica foi criada pelo urologista Ubirajara Barroso, em parceria com a Universidade Federal da Bahia, e vem despertando interesse de pacientes brasileiros e estrangeiros.
A metoidioplastia utiliza o clitóris hipertrofiado pela terapia hormonal para construir o pênis. A principal limitação da técnica convencional é o tamanho final do órgão, que nem sempre permite penetração. Segundo Barroso, a TCM busca contornar essa limitação por meio de uma mobilização maior dos corpos cavernosos, estruturas responsáveis pela ereção.
“A técnica busca aproveitar ao máximo as estruturas naturais do paciente, preservando a vascularização e a inervação”, afirma o urologista.
Como funciona a técnica TCM
A TCM foi criada inicialmente para reconstrução peniana em pacientes com micropênis ou perda do órgão genital e, posteriormente, adaptada para homens trans. O procedimento consiste na mobilização dos corpos cavernosos, que normalmente permanecem presos à pelve, permitindo que uma porção maior dessas estruturas fique exteriorizada e aumente o comprimento do pênis.
De acordo com Barroso, os corpos cavernosos são duas estruturas cilíndricas de tecido erétil localizadas ao longo do pênis. Elas se enchem de sangue durante a excitação sexual, tornando possível a ereção. Em homens trans que passam pela metoidioplastia, essas estruturas também estão presentes no clitóris, já que clitóris e pênis se desenvolvem a partir do mesmo tecido durante a formação do feto.
Na técnica TCM, parte dos corpos cavernosos que permanece fixada à pelve é mobilizada, permitindo que uma extensão maior desse tecido fique externa e contribua para aumentar o comprimento do neofalo, preservando a ereção natural e a sensibilidade.
Durante a cirurgia, também são reconstruídas a uretra e a bolsa escrotal. Dependendo do caso, podem ser utilizados retalhos locais para aumentar a espessura do órgão genital. Em etapas posteriores, o paciente pode realizar a conclusão da uretra e o implante de próteses testiculares ou penianas, quando indicado.
“Além do ganho de comprimento, fazemos rotações de retalhos locais para aumentar a espessura do órgão genital, sempre buscando preservar a função e a sensibilidade”, explica o urologista.
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“Hoje sinto que não falta mais nada em mim”
Um homem trans, operado, ouvido pelo Metrópoles, que preferiu não se identificar, afirma que escolheu realizar a cirurgia utilizando a técnica TCM após confiar na avaliação do urologista Ubirajara Barroso. Ele relata que, embora tivesse a opção da metoidioplastia convencional, decidiu seguir a recomendação do especialista por acreditar que o procedimento atendia melhor às suas expectativas.
O entrevistado conta que passou anos buscando uma técnica que proporcionasse um resultado compatível com seus objetivos e diz que chegou ao pré-operatório mais ansioso para realizar a cirurgia do que com medo do procedimento. O pós-operatório, segundo ele, transcorreu de forma tranquila, sem dores importantes ou complicações relevantes, apesar de ter sido um dos primeiros pacientes a passar pela técnica e precisar de três etapas cirúrgicas.
“O resultado superou tudo o que eu imaginava. Além do ganho de comprimento, mantive a sensibilidade e consegui algo que nem era cogitado nas conversas antes da cirurgia: ter relações com penetração”, relata.
Para ele, os benefícios vão além da parte física. O paciente afirma que a cirurgia trouxe mais segurança para lidar com a própria imagem e com a vida sexual. “Não foi uma validação para os outros, foi para mim. Hoje faço xixi em pé, descobri novas possibilidades com o meu corpo e sinto que alcancei uma completude que antes faltava”, diz.
De acordo com o entrevistado, a experiência fez com que ele recuperasse a confiança no próprio corpo e na própria identidade. Ele afirma que não se arrepende da decisão e considera que a cirurgia representou a realização de um objetivo construído ao longo de muitos anos de transição.
Diferenças para a metoidioplastia e a faloplastia
Na metoidioplastia convencional, o pênis é construído a partir do próprio clitóris hipertrofiado, preservando a ereção espontânea e a sensibilidade. Já a faloplastia utiliza enxertos de pele e tecido retirados de regiões como antebraço ou coxa para confeccionar um novo órgão genital, procedimento geralmente realizado em múltiplas etapas.
Conforme diz Barroso, a principal diferença da TCM é permitir um ganho maior de comprimento do pênis sem abrir mão das vantagens da metoidioplastia.
De acordo com o especialista, a escolha entre as técnicas deve ser individualizada e considerar fatores como anatomia, objetivos do paciente e avaliação da equipe multidisciplinar. A TCM é indicada para homens trans, além de pacientes com micropênis ou que perderam o pênis em decorrência de traumas ou doenças.



