“Nova onda de Covid deve ir até fim de fevereiro”, estima Julio Croda

Pesquisador da Fiocruz afirma que, sem dados atualizados, sistema de saúde pode colapsar sem que autoridades possam se antecipar

atualizado 17/01/2022 19:36

Julio CrodaReprodução/Zoom

O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda, estima que a terceira onda de casos da Covid-19 deve se arrastar até o fim de fevereiro, no Brasil. A avaliação é feita com base no atual cenário da pandemia e como a variante Ômicron do novo coronavírus tem se comportado nos países em que chegou primeiro.

“A gente estima que a curva da variante Ômicron seja entre 30 e 60 dias. Essa nova onda de Covid-19 deve ir até o final de fevereiro, no máximo, início de março”, afirmou o infectologista em entrevista ao Metrópoles.

A descoberta da variante Ômicron, em meados de novembro de 2021, mudou o curso da pandemia. Em poucas semanas, o vírus ultrapassou as fronteiras de dezenas de países, levando ao aumento expressivo do número de novos casos diários em todo o mundo.

Na última quinta-feira (13/1), foram registrados 3,6 milhões de casos da doença em apenas 24 horas, segundo dados da plataforma Our World in Data. O recorde anterior era de 3,28 milhões de casos.

No Brasil, o primeiro diagnóstico foi confirmado em 30 de novembro de 2021, pelo Instituto Adolfo Lutz. Atualmente, a estimativa é de que a variante corresponda a 99% dos casos de Covid-19 no país devido ao seu alto potencial de transmissão. A média móvel de casos chegou a 68.074 no domingo (16/1).

O cenário mudou principalmente porque a variante tem maior escape de resposta imune e maior transmissibilidade. Ela tem uma taxa de contágio de 10 – três a quatro vezes maior do que a da variante original, duas a três vezes maior que a das variantes Gama e Delta.

“A gente vai ter uma explosão de casos, eventualmente uma explosão de hospitalizações, mais bastante pontual, com menor impacto do ponto de vista temporal do que ocorreu com a variante Gama, que durou quatro meses com recorde de hospitalizações e óbitos, chegando ao pico de 4 mil óbitos por dia no Brasil”, esclarece Croda.

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Redução de novos casos

Depois da explosão da casos, espera-se que ocorra uma queda sustentada, como já é observado na África do Sul, em especial na província de Gauteng.

O primeiro epicentro da Ômicron no país africano vive a queda da curva de novos casos, hospitalizações e mortes provocadas pela Covid-19.

“Depois da chegada de uma nova variante, a gente tem o aumento importante do número de casos. A depender da cobertura vacinal, podemos ter aumento de hospitalização e óbito, e logo em seguida, uma queda brusca”, explica o pesquisador da Fiocruz.

Segundo Croda, as principais condições que poderiam favorecer a rápida transmissão do vírus, associadas a aglomerações e viagens, já ocorreram.

“Isso aconteceu durante o Natal e Réveillon e pode se intensificar durante o Carnaval. Mas é bom entender que essa nova onda já se iniciou e ela vai durar de 30 a 60 dias”, pontuou.

Apagão de dados

O apagão de dados do Ministério da Saúde após um ataque cibernético no início de dezembro prejudica não apenas as estatísticas, mas o enfrentamento da pandemia, com o planejamento de ações para resposta rápida ao aumento de casos, explica o pesquisador.

“A falta de planejamento em si pode levar ao colapso porque você não espera um aumento repentino, não está acompanhando a velocidade desse aumento e, de repente, os sistemas de saúde colapsam, como aconteceu em Manaus com o surgimento da variante Gama (em janeiro de 2021). A gente não estava monitorando adequadamente e, em duas semanas, os serviços colapsaram”, afirma Croda.

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