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Saúde

Mulher tem vértebras coladas para estabilizar coluna: "Não conseguia andar"

Após 13 anos de dores crônicas e limitações graves, uma intervenção cirúrgica permitiu a Alice retomar sua rotina e as atividades físicas

26/10/2026 02:00
Arquivo pessoal
Mulher que conviveu com limitações por conta de dores na coluna durante 13 anos

A coordenadora de comércio exterior Alice Batista, de Campinas, interior de São Paulo, viu sua rotina mudar radicalmente aos 32 anos, quando fortes dores na lombar começaram a limitar seus movimentos.

Durante 13 anos, a convivência diária com o desconforto na coluna transformou tarefas simples, como sentar, caminhar ou dormir, em obstáculos quase impossíveis de ultrapassar. Nas crises mais severas, ela dependia do apoio constante da família até para se alimentar ou ir ao banheiro.

Casada e mãe de dois filhos, Alice, hoje com 45 anos, recorreu a diversas alternativas não invasivas na tentativa de conter a evolução do problema. Procedimentos como fisioterapia contínua, acupuntura e infiltrações ofereciam apenas alívio temporário, que durava poucas horas ou dias.

“A dor foi me moldando. Fui adaptando a forma de andar, me movimentar, pensar e viver. Os momentos mais difíceis aconteciam nas crises. Na primeira delas, meus filhos tinham apenas dois anos. Eu não via mais um futuro em que não fosse um fardo para os outros e para mim mesma”, relata.

A alteração na mecânica do corpo acabou impactando também a saúde emocional e metabólica da paulista. Com o avanço do desgaste estrutural na coluna e o esgotamento dos efeitos das medicações para dor, a intervenção cirúrgica passou a ser avaliada como a alternativa necessária para restaurar a funcionalidade.

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Artrodese e a recuperação da função

Em novembro de 2024, Alice passou pela cirurgia de artrodese lombar. O procedimento consiste em estabilizar a coluna vertebral por meio da união definitiva entre duas ou mais vértebras comprometidas. Na prática, o disco invertebral danificado é removido para dar lugar a implantes rígidos de titânio, preenchidos com enxerto ósseo e fixados com hastes e parafusos.

“Trata-se de uma técnica indicada para casos em que a instabilidade da coluna gera compressão nervosa e dor crônica incapacitante”, explica Mário Lenza, gerente médico de Ortopedia do Hospital Israelita Albert Einstein.

Lenza explica que com a evolução dos métodos minimamente invasivos e da tecnologia dos implantes, é possível preservar melhor a musculatura ao redor da coluna, acelerando o início do processo de reabilitação.

Para Alice, a mudança foi perceptível já no início da recuperação pós-operatória.

“Acordei da anestesia com menos dor do que entrei. Com três meses, eu já estava jogando bola na fisioterapia. Hoje faço aulas de dança, vou à academia e viajo com a minha família. A cirurgia me devolveu a vida”, conta.

Avaliação criteriosa e acompanhamento contínuo

Casos como o de Alice refletem uma mudança importante na avaliação dos resultados médicos, que passaram a focar na percepção direta do paciente sobre sua autonomia.

Segundo dados do Ministério da Saúde compilados pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), entre 18,5% e 23,4% dos adultos no Brasil convivem com problemas crônicos de coluna.

Para avaliar a eficácia dos tratamentos, hospitais utilizam questionários conhecidos como PROMs (Patient-Reported Outcome Measures). Levantamentos do Hospital Einstein apontam que 89% dos pacientes submetidos à artrodese lombar relatam melhora funcional após um ano.

Apesar do avanço das técnicas, especialistas ressaltam que o procedimento é recomendado estritamente após a verificação de que os tratamentos conservadores não apresentam mais resposta clínica.

“A cirurgia deve ser enxergada como uma solução precisa para quando os tratamentos clínicos não trazem mais resposta”, pontua Lenza.

Hoje, livre das dores, Alice destaca que a cirurgia foi uma divisora de águas em sua vida, devolvendo a chance de voltar a viver de verdade.