Montanha-russa é emocionante, mas pode ser perigosa para cardiopatas
Experiência em montanha-russa pode trazer riscos à saúde de quem tem doenças preexistentes e provocar reações psicológicas intensas

A montanha-russa está entre os brinquedos mais procurados nos parques de diversões. Para muitas pessoas, a atração é vista como um momento de liberação de endorfina e dopamina, além de oferecer a sensação psicológica de enfrentar um desafio. Porém, em alguns casos, a experiência pode até fazer mal à saúde.
O cardiologista Rafael Domiciano, coordenador de cardiologia da Rede D’Or, diz que pessoas com doenças cardiovasculares preexistentes devem evitar esse tipo de atração.
“Os principais riscos envolvidos são descompensação de doenças prévias, como hipertensão, arritmias, insuficiência cardíaca, infarto ou doença coronariana. Apesar de ser raro, o indivíduo pode sofrer infarto, parada cardíaca e taquiarritmias. Mas só se houver doença preexistente“, esclarece.
Ele explica que, quando o ser humano enfrenta uma situação desafiadora, o organismo ativa o sistema de luta e fuga e, com isso, há liberação de mediadores neuro-hormonais, como a adrenalina. Na montanha-russa, o processo ocorre de forma rápida, aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial.

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Ver todas“É um mecanismo fisiológico para enfrentarmos situações de estresse. Com maior distribuição de oxigênio para órgãos e músculos, conseguimos raciocinar melhor. Além disso, temos a questão das mudanças bruscas de posição (força G), que podem levar a alterações repentinas de frequência cardíaca e pressão”, destaca.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaDomiciano reforça que pessoas com problemas cardíacos, como doença coronariana e arritmia, devem evitar os brinquedos, pois cada doença preexistente pode se manifestar no corpo de forma diferente.
“As alterações causadas quando vamos a montanhas-russas se assemelham a um exercício vigoroso e de curta duração. O organismo deve estar apto a passar por uma situação como essa”, acrescenta.
Além dos problemas cardiovasculares, ir a montanhas-russas pode exigir bastante da musculatura. Algumas pessoas podem apresentar problemas importantes de coluna ou pescoço. Gestantes ou indivíduos que passaram recentemente por cirurgias precisam ter mais cuidado e respeitar as contraindicações do brinquedo.
Existem relatos médicos de complicações neurológicas associadas a montanhas-russas, mas são situações bastante raras.
Reações psicológicas em montanha-russa
O medo da montanha-russa provoca uma resposta fisiológica intensa, acelerando o coração, mudando a respiração e aumentando a tensão muscular. Porém, em pessoas saudáveis e que escolheram ir ao brinquedo, não há dano à saúde mental, pois o indivíduo sabe que está em uma situação controlada.
O psicólogo Yuri Busin reforça que, em pessoas mais vulneráveis à ansiedade ou ao pânico, essas sensações corporais podem ser interpretadas como sinal de que algo muito ruim está acontecendo e até desencadear uma crise de pânico.
“Uma experiência extremamente desagradável pode produzir uma associação entre aquele contexto e o medo. Assim, a pessoa passa a evitar montanhas-russas, brinquedos semelhantes ou situações relacionadas àquela experiência”, complementa.
O psicólogo alerta que forçar a ida de pessoas que têm medo intenso a esses brinquedos pode fazer muito mal à saúde mental delas.
“Pode criar uma experiência psicológica bastante negativa, aumentar a ansiedade e levar a comportamentos de esquiva. Em pessoas que já apresentam fobia, transtorno de pânico ou outras vulnerabilidades, isso é mais perigoso e merece atenção”, conclui.
No geral, dar uma volta na montanha-russa não é uma experiência perigosa. É preciso apenas que a pessoa que vai ao brinquedo, além de gostar e querer ir, esteja dentro das condições de alerta descritas logo na entrada da atração.





















