Estudo indica que grupos próximos sincronizam batimentos cardíacos
Pesquisa indica que proximidade, atenção compartilhada e vínculos sociais favorecem alinhamento dos ritmos cardíacos

Pessoas que passam tempo juntas podem compartilhar mais do que conversas e experiências. Um novo estudo sugere que os batimentos cardíacos também tendem a entrar em sintonia quando há proximidade física e interação social.
A pesquisa, publicada na revista PNAS Nexus em 6 de junho, analisou o comportamento de 72 estudantes durante uma viagem de quatro dias a Nova York, nos Estados Unidos. Os resultados indicam que a frequência cardíaca dos participantes ficou mais sincronizada quando eles estavam próximos uns dos outros, especialmente em momentos de atenção compartilhada.
Segundo os autores, o fenômeno pode servir como um indicador de engajamento social em situações do dia a dia.
Como o estudo foi realizado?
Para acompanhar os participantes, os pesquisadores utilizaram pulseiras capazes de monitorar a frequência cardíaca, aparelhos auditivos que registravam o ambiente sonoro e celulares que coletavam informações de localização por GPS.
Os estudantes foram considerados próximos quando estavam a menos de 20 metros de distância entre si. Ao comparar os dados, os cientistas observaram que os batimentos cardíacos apresentavam maior sincronização quando as pessoas estavam juntas do que quando estavam afastadas.
A sintonia foi ainda mais evidente em situações nas quais os participantes concentravam a atenção em um mesmo evento, como palestras, apresentações e atividades em grupo.
Amigos apresentaram maior sincronização
Os pesquisadores também analisaram o efeito dos vínculos sociais sobre o fenômeno. Pessoas que já se conheciam antes da viagem apresentaram níveis mais elevados de sincronização cardíaca do que aquelas que não tinham relação prévia, o que sugere que conexões sociais estabelecidas podem favorecer um alinhamento fisiológico mais intenso.
Os autores destacam que a sincronia não parece depender apenas da proximidade física, mas também do grau de envolvimento entre as pessoas.
Ruído pode atrapalhar a sintonia
Outro resultado chamou a atenção da equipe. Ambientes com muito ruído ou condições de escuta mais difíceis estavam associados a uma redução da sincronização dos batimentos cardíacos.
Uma das hipóteses é que o esforço necessário para compreender conversas em locais barulhentos consuma recursos cognitivos que normalmente seriam direcionados à interação social.
Os pesquisadores também consideram a possibilidade de que conversas e a atenção compartilhada a sons e eventos sejam parte importante do mecanismo que favorece essa sincronização.
O que os resultados indicam
Embora o estudo não determine exatamente por que os corações entram em sintonia, os autores afirmam que os dados mostram que a sincronização fisiológica surge naturalmente em contextos sociais do cotidiano.
A equipe acredita que a descoberta pode ajudar a explicar melhor como as conexões humanas são formadas e como fatores como ambiente, atenção e relacionamento entre as pessoas influenciam essas experiências.

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