Lipedema x linfedema: entenda as diferenças em pessoas magras e obesas
Condições têm causas diferentes e podem afetar pessoas magras ou obesas, exigindo avaliação clínica cuidadosa e tratamento individualizado
atualizado
Compartilhar notícia

Lipedema e linfedema são condições crônicas que podem causar aumento de volume nos membros. Por apresentarem nomes semelhantes e sintomas visíveis parecidos, costumam ser confundidas, mas tratam-se de doenças distintas, com causas, características e tratamentos diferentes.
A cirurgiã vascular Anna Paula Weinhardt, que atua em São Paulo, explica que o lipedema é uma síndrome inflamatória gordurosa.
“O paciente tem tendência a acumular nódulos de gordura inflamados e dolorosos, principalmente no quadril, coxas e membros inferiores, mas também pode ocorrer em abdômen e braços”, afirma.
Segundo a médica, a principal diferença em relação à obesidade está na distribuição da gordura. “Na obesidade, a gordura costuma ser mais uniforme entre parte superior e inferior do corpo. No lipedema, a distribuição é segmentada, geralmente da cintura para baixo”, diz.
Já o linfedema é uma alteração circulatória ligada ao sistema linfático. “Nesse caso há acúmulo de líquido, não de gordura. É uma falha no controle do volume de líquido nos tecidos, que pode ser congênita ou adquirida”, explica Anna.
Em casos mais avançados, o inchaço pode causar deformidades e alterações na pele.
Sinais que ajudam a suspeitar de lipedema
A dor é um dos principais alertas para o lipedema. De acordo com Anna, a suspeita surge quando há acúmulo desproporcional de gordura associado a desconforto, sensibilidade aumentada e surgimento frequente de manchas roxas.
“Muitas pacientes relatam que o quadro começou após uma alteração hormonal, como puberdade, uso de anticoncepcional, gestação ou tratamento hormonal”, afirma a cirurgiã vascular.
Também é comum a pele apresentar ondulações e aspecto irregular, semelhante à celulite, além de dificuldade em ganhar definição muscular nas pernas.
O cirurgião plástico Fernando Amato, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica acrescenta que a desproporção corporal é um dos sinais mais evidentes.
“O tronco pode ter uma proporção diferente dos membros. Às vezes há gordura concentrada na perna, mas o pé não tem acúmulo. Isso ajuda a diferenciar”, explica.
Ele destaca ainda a sensibilidade ao toque e a facilidade para formação de hematomas. “A paciente costuma dizer que fica roxa sem saber por quê. Isso está relacionado à fragilidade dos pequenos vasos”, afirma.
Lipedema pode ocorrer em pessoas magras?
O lipedema não está necessariamente ligado ao excesso de peso. Por isso, a condição pode aparecer tanto em pessoas magras quanto nas com índice de massa corporal (IMC) elevado.
“Ele é independente da obesidade, embora possa coexistir. Em pacientes magras, principalmente nos estágios iniciais, o diagnóstico exige exame clínico minucioso e análise da evolução do quadro”, explica Anna.
Em casos em que há obesidade associada, o desafio é evitar que o diagnóstico seja simplificado apenas como excesso de peso. “É preciso acompanhamento e olhar clínico cuidadoso para diferenciar lipedema, obesidade ou a associação das duas condições”, diz.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do lipedema é clínico, baseado na história da paciente, nas queixas e no exame físico. “Não existe um teste que confirme sozinho o lipedema”, afirma Fernando.
Exames como ultrassom, ressonância e bioimpedância podem auxiliar na avaliação da distribuição de gordura e na exclusão de outras condições.
A linfocintilografia pode ajudar a verificar o funcionamento dos vasos linfáticos quando há dúvida sobre linfedema. Já o ultrassom Doppler pode avaliar possíveis alterações venosas.
“Os exames servem para complementar a avaliação e descartar diagnósticos diferenciais, mas o diagnóstico é essencialmente clínico”, reforça.
Tratamentos
O tratamento do lipedema varia de acordo com o estágio e a gravidade do quadro. Nos casos iniciais, mudanças no estilo de vida e acompanhamento multidisciplinar costumam ser indicados.
“Fortalecimento muscular, atividade física regular, alimentação equilibrada e controle de fatores inflamatórios são fundamentais”, explica Anna. Drenagem linfática, fisioterapia e uso de compressão elástica também podem ajudar no controle dos sintomas.
Em quadros mais avançados, quando há deformidades, dor intensa e impacto importante na qualidade de vida, a cirurgia pode ser considerada.
“Em situações mais graves, o procedimento cirúrgico pode ser necessário para devolver mobilidade, reduzir dor e permitir que o paciente consiga aderir a mudanças no estilo de vida”, afirma.
Já o linfedema costuma exigir controle do inchaço por meio de compressão, fisioterapia especializada e cuidados com a pele, variando conforme a causa e a intensidade.
Embora apresentem semelhanças visuais, lipedema e linfedema têm origens distintas e exigem avaliação médica criteriosa. O reconhecimento correto da condição é essencial para definir a abordagem mais adequada e evitar diagnósticos equivocados.
