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Copa do Mundo 2026Saúde

Lesões musculares são as mais temidas pelo jogadores na Copa do Mundo

Dependendo da lesão, o jogador pode não se recuperar a tempo e acabar sendo cortado da Copa do Mundo

22/06/2026 02:00
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Lars Baron/Getty Images
Lesões musculares são as mais temidas pelo jogadores na Copa do Mundo

Considerada a maior competição entre seleções do mundo, a Copa do Mundo é, na visão de muitos jogadores, o auge da carreira. No entanto, para ganhar o título não basta apenas ter futebol no pé. A consagração depende de inúmeros fatores e, entre eles, estão as lesões, uma ocorrência que pode tirar um atleta importante da disputa e determinar o caminho do time no torneio.

As lesões mais temidas pelos jogadores de futebol são aquelas que afetam os membros inferiores e que têm recuperação mais lenta, podendo levar semanas ou até meses. Entre elas, estão:

  • Lesões musculares;
  • Lesões ligamentares no joelho, em especial o rompimento do ligamento cruzado anterior (LCA) que limita drasticamente os movimentos do jogador e o tempo de recuperação pode levar até a um ano;
  • Entorses de tornozelo; e
  • Fraturas.

As mais graves são as ligamentares e as fraturas, porém, em uma competição relativamente rápida como a Copa do Mundo, as lesões musculares costumam causar mais receio. Isso porque, apesar de mais simples, são as mais frequentes no futebol e podem tirar os atletas da competição, como no caso do lateral-direito brasileiro Wesley, que teve uma ocorrência no adutor da coxa e foi cortado do torneio. Atualmente na Seleção quem também sofre com problemas no músculo é o atacante Neymar.

“Embora geralmente tenham um tempo de recuperação menor que uma lesão ligamentar grave, podem ser suficientes para tirar um atleta de toda a competição. Dependendo da extensão da lesão, mais comumente, uma recuperação pode demandar de duas a seis semanas, período incompatível com a duração de um torneio curto”, explica o ortopedista e médico do esporte Jorge Oliva Júnior, do Hospital DF Star, em Brasília.

Caso a lesão de um atleta na Copa seja ligamentar, as chances dele permanecer em condições para a disputa são praticamente nulas, podendo até comprometer parte da temporada em seu clube, dependendo da gravidade.

“No caso do LCA, na grande maioria das vezes é necessária cirurgia e um longo processo de reabilitação [de 9 a 12 meses], o que pode comprometer até a continuidade da carreira do atleta, especialmente em momentos decisivos como grandes competições”, afirma o fisiologista Carlos Ernesto, coordenador do Grupo de Estudos em Fisiologia do Futebol na Universidade Católica de Brasília (GEFIF/UCB).

Fatores que aumentam o risco de lesões

Segundo os especialistas entrevistados pelo Metrópoles, não há um motivo específico para a ocorrência de lesões. Na verdade, elas têm origem multifatorial. No futebol atual, por exemplo, um dos maiores causadores é o calendário apertado, no qual cada vez mais são exigidas altas condições para as disputas com descansos cada vez mais escassos. Dessa forma, é natural que o corpo peça “arrego”.

“O acúmulo de partidas reduz o tempo de recuperação dos jogadores, aumenta a fadiga e eleva significativamente o risco de lesões, podendo chegar a cerca de 30% a mais em temporadas com torneios internacionais, como a Copa”, revela Ernesto.
Imagem colorida de Wesley chorando - Metrópoles
Wesley foi cortado da Seleção após lesão muscular na coxa

Além do calendário repleto de partidas a serem disputadas, outros fatores elevam os risco de lesão. Entre os principais, estão:

  • Alterações no sono devido a quantidade grande de deslocamento para os palcos das partidas;
  • Mudanças de fuso horário;
  • Estresse físico e emocional em decorrência da pressão por resultados;
  • Partidas jogadas de forma muito intensas.

“Em competições de alto rendimento como a Copa do Mundo, existe ainda um agravante importante: os atletas chegam ao torneio após meses de competições intensas por seus clubes, frequentemente com um nível elevado de desgaste físico. Soma-se a isso a intensidade máxima das partidas, já que qualquer erro pode representar a eliminação da equipe”, acrescenta Jorge.

Como as equipes previnem as ocorrências durante a Copa

Por conta da intensidade da Copa do Mundo, as comissões técnicas das seleções precisam preparar um plano de contenção e prevenção de riscos eficiente para evitar cortes e lesões durante a disputa. As ações também usadas em caso de problemas médicos se concentram em exercícios de força, equilíbrio e coordenação, além de monitoramento da rotina de sono, hidratação e nutrição. 

“Evidências indicam que essas intervenções ajudam a reduzir a fadiga muscular e acelerar a recuperação entre jogos, permitindo que os atletas mantenham o desempenho mesmo com poucos dias de descanso”, aponta Ernesto.

Para obter o resultado esperado, os profissionais envolvidos na determinação dos planos de ação são de várias áreas distintas, incluindo preparadores físicos, médicos, fisiologistas, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos. O último em especial é importante para o atleta não deixar o medo de se lesionar afetar o seu desempenho na competição. 

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