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O mês de julho foi escolhido para alertar a população sobre os riscos do câncer de cabeça e pescoço – popularmente conhecido como câncer de boca e garganta – associado ao tabagismo, consumo de álcool e infecção por HPV (papilomavírus humano). Este ano, a campanha Julho Verde tem o tema “toda voz merece ser ouvida”.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que sejam registrados 14.7 mil novos casos de câncer de boca no Brasil ao longo de 2018, sendo 11.2 mil em homens e 3.5 mil em mulheres. Segundo este mesmo estudo, publicado em fevereiro, devem ocorrer mais 7 mil casos de câncer de laringe: 6.390 em homens e 1.280 em mulheres.

Um levantamento do Ministério da Saúde aponta para a preocupante informação de que o número de mulheres jovens diagnosticadas com câncer de garganta vem crescendo a cada ano, associado à transmissão do vírus HPV pelo sexo oral. O sexo com proteção é um aliado na prevenção da doença.

O câncer de boca, por sua vez, é  mais comum em homens com mais de 50 anos, viciados em álcool e tabaco. Os sintomas mais recorrentes são feridas indolores na boca, manchas ou placas avermelhadas ou esbranquiçadas e sangramentos repentinos, sem causa conhecida.

O câncer de cabeça e pescoço se desenvolve com tumores nos lábios, gengiva, parte anterior da língua, porção interna da bochecha, assoalho de boca abaixo da língua e palato duro – parte do céu da boca –, faringe, cavidade nasal e seios paranasais, glândulas salivares e laringe – onde se encontram as cordas vocais e a epiglote.

“Anatomicamente esse conjunto de estruturas ocupam parte da cabeça e do pescoço, por isso chamamos esse grupo de doenças da cabeça e pescoço”, explica o médico oncologista Arilto Eleutério da Silva Júnior, do Instituto Onco-Vida.

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Tratamento
Por se tratar de um câncer extremamente invasivo, por vezes, o tratamento é doloroso. Além de evitar os fatores de risco, os pacientes devem se prevenir com a boa higiene bucal, seguida de consultas anuais ao dentista ou otorrinolaringologista, que devem estar atentos ao surgimentos de lesões.

“Caso o especialista constate a presença de alguma lesão suspeita à avaliação clínica, exames adicionais serão requisitados. A biópsias é imprescindível para a confirmação do diagnóstico de câncer”, ressalta Arilto.

Cada estágio da doença requer um tratamento diferente. Ele é feito por cirurgia, quimioterapia, radioterapia, ou uma combinação entre eles. A quimioterapia pode levar até seis meses.