Inglesa se torna paciente mais jovem a passar por cirurgia acordada
Jovem com condição rara passou por cirurgia de 12 horas, da qual esteve acordada por 30 minutos para que a equipe médica avaliasse sua fala

Com uma doença vascular rara, que acomete uma a cada 100 mil pessoas, a inglesa Matilda Phillips, chamada de “Tilly”, foi submetida a uma cirurgia cerebral acordada, e se tornou a paciente mais jovem do mundo a realizar esse procedimento.
O caso aconteceu em dezembro de 2025, quando Tilly, da cidade de Warrington, no Reino Unido, tinha apenas 15 anos de idade. Ela tem uma malformação arteriovenosa (MAV), que é um emaranhado anormal de vasos sanguíneos formado por artérias que normalmente irrigam o cérebro e veias que normalmente drenam o sangue do tecido cerebral, segundo a Cleveland Clinic.
Antes da cirurgia, a inglesa apresentava quadros frequentes de convulsões e, em comunicado, afirma que a MAV era uma espécie de bomba-relógio em seu cérebro.
“Eu só queria que aquilo fosse removido. A MAV estava me causando convulsões frequentes, que estavam piorando, e eu sabia que ela poderia se romper a qualquer momento, o que era realmente assustador. Eu sentia que minha vida estava em suspenso”, relata.

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Ver todasA cirurgia ocorreu no Alder Hey Children’s Foundation Trust e teve duração de cerca de 12 horas, das quais Tilly esteve 30 minutos acordada para que os médicos monitorassem sua fala e reações, enquanto removiam a malformação.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaDe acordo com o neurocirurgião Vejay N. Vakharia, essa cirurgia nem sempre é oferecida a pacientes jovens, pois precisa de muita cooperação. “Embora procedimentos com o paciente acordado já tenham sido realizados em pacientes jovens para outras condições neurológicas, como tumores cerebrais, Tilly está entre os indivíduos mais jovens conhecidos a se submeter à cirurgia especificamente para uma MAV, o que é extremamente raro”, destacou em comunicado.
Após a cirurgia, a jovem relatou à BBC internacional que apresentou problemas de memória e teve dificuldades para lembrar de nomes de amigos e de animais. Mas de acordo com o hospital, o procedimento foi um sucesso e ela segue em recuperação expressiva.
Diagnóstico de MAV e seus riscos
Tilly foi diagnosticada com a doença vascular após realizar uma ressonância magnética, para averiguar crises não epilépticas psicogênicas.
A MAV identificada na jovem estava localizada em uma região próxima às áreas cerebrais responsáveis pelas funções de fala, movimento e visão. Por conta disso, o tratamento era arriscado.
Segundo o hospital Alder Hey Children’s Foundation Trust, se uma MAV se romper, ela pode causar AVCs, sérios danos cerebrais e levar o paciente à morte.
Entre os principais sintomas da doença estão convulsões, dores de cabeça, fraqueza muscular ou paralisia completa, vômitos e náuseas, dor abdominal, tontura, dormência, dor nas costas, além de dor e inchaço, de acordo com a Cleveland Clinic.
Agora, aos 16 anos, Tilly confessa que recuperou sua vida. “Antes da cirurgia, eu me sentia como se estivesse sempre preocupada com o que poderia acontecer. Agora, acabei de terminar meus exames do ensino médio e posso esperar ansiosamente para passar um tempo com meus amigos, minha família, meus cachorros, aproveitar as férias de verão e simplesmente voltar a ser uma adolescente normal”, finalizou em comunicado.



