Aposentado vence câncer no reto e alerta: “Façam exames preventivos”

Jubal Florêncio descobriu tumor no reto aos 60 anos, após notar sangue nas fezes. Hoje, está em remissão da doença

atualizado

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Foto colorida de casal se abraçando, sorrindo para foto - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de casal se abraçando, sorrindo para foto - Metrópoles - Foto: Arquivo pessoal

O aposentado Jubal Florêncio, hoje com 66 anos, viu a vida mudar de forma brusca em 2020. Após notar sangue nas fezes, recebeu o diagnóstico de câncer no reto, um tipo de tumor localizado na parte final do intestino grosso.

O problema surgiu em meio à pandemia de Covid-19, período em que também precisou interromper o sonho de cursar Medicina no Paraguai. Mesmo diante do cenário difícil, Jubal afirma que nunca perdeu a esperança. “Sempre acreditei nos propósitos divinos, por isso tive paz”, relata.

Depois de passar por radioterapia, quimioterapia e cirurgia, ele entrou em remissão e hoje segue apenas em acompanhamento médico, sem sinais de recidiva.

O primeiro sinal surgiu no banheiro

Servidor público federal aposentado, Jubal tinha decidido retomar um antigo sonho: estudar Medicina. Incentivado por um cunhado, foi para o Paraguai cursar a graduação. No terceiro ano, porém, a pandemia obrigou os estudantes a retornar ao Brasil.

Foi durante aquele período de incertezas que apareceu o primeiro sintoma: sangue nas fezes. Segundo ele, cerca de seis meses se passaram entre os sinais iniciais e a confirmação do tumor.

O coloproctologista Danilo Munhóz, que acompanhou de perto o caso de Jubal, explica que sangramento anal é um dos alertas mais comuns para tumores no reto ou no intestino baixo.

“É muito frequente o paciente perceber sangue nas fezes, que pode ser vivo ou mais escuro, além de alteração no ritmo intestinal, como episódios de diarreia, constipação ou alternância entre os dois”, afirma o médico.

De acordo com o especialista, muitos pacientes confundem os sintomas com hemorroidas ou problemas benignos, o que pode atrasar a descoberta da doença. Por isso, qualquer sangramento anal persistente, mudança no hábito intestinal por mais de duas a três semanas ou sensação incomum ao evacuar merecem avaliação médica.

“O câncer de reto, quando diagnosticado no início, tem altas chances de tratamento curativo e preservação da qualidade de vida”, destaca Munhóz.

Entre os exames usados para confirmar o quadro estão o toque retal, colonoscopia com biópsia e exames de imagem, como ressonância magnética da pelve e tomografias.

Tratamento intenso e momentos difíceis

Após a confirmação, Jubal iniciou sessões de radioterapia e quimioterapia para reduzir o tumor antes da cirurgia. Segundo Munhóz, a estratégia é comum em tumores localmente avançados.

Iniciar o tratamento antes da cirurgia ajuda a reduzir o tamanho do tumor, facilita a retirada completa e aumenta a chance de preservar o esfíncter anal, evitando uma ostomia definitiva em muitos pacientes”, explica.

Para Jubal, nenhuma fase foi simples. “A radioterapia e a cirurgia deixaram algumas sequelas que ainda persistem”, relata ao lembrar dos períodos mais difíceis.

Durante o tratamento, também enfrentou náuseas intensas e precisou usar bolsa de colostomia por três meses. “Foi muito difícil. Às vezes a bolsa caía no meio da rua”, conta.

Cirurgia, rotina e remissão

Na operação, foi necessária a retirada total da ampola retal, estrutura responsável por armazenar as fezes antes da evacuação. Após esse tipo de procedimento, mudanças intestinais podem surgir.

“Entre as queixas mais frequentes estão aumento do número de evacuações ao longo do dia, urgência evacuatória e dificuldade de segurar as fezes”, explica o coloproctologista.
Foto colorida de curativo no abdomen de homem, após a retirada de tumor no reto - Metrópoles
Jubal exibe curativo no abdômen após cirurgia contra câncer no reto

Jubal confirma que precisou reorganizar hábitos e fez mudanças na alimentação como cortar carboidratos e substituir proteínas como carne, ovo e queijo.

Apesar das adaptações, ele afirma levar uma vida ativa: viaja, prega como pastor evangélico e continua tocando projetos sociais ligados às igrejas em que atua, com atividades como karatê, jiu-jitsu e corte e costura.

Hoje, Jubal realiza exames periódicos e segue sem sinais de retorno da doença. Antes, o controle era semestral. Agora, passou a ser anual. Segundo Munhóz, a maior parte das recidivas acontece nos primeiros três a cinco anos após o tratamento, por isso o acompanhamento médico contínuo é fundamental.

“O objetivo não é apenas detectar uma possível recidiva precocemente, mas também acompanhar a adaptação do paciente e garantir qualidade de vida após o câncer”, afirma.

Além da saúde recuperada, Jubal mantém outro objetivo vivo: voltar a estudar Medicina, agora em Brasília, onde mora. Depois de tudo o que viveu, o aposentado diz que o principal é não ignorar sinais do corpo.

“Essa doença é muito grave e causa muitos transtornos físicos e emocionais. Portanto, façam os exames preventivos e, ante qualquer suspeita, tomem providências imediatamente, porque quanto mais cedo for diagnosticado, maior a chance de cura”, alerta.

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