Câncer nos testículos: urologista ensina como fazer o autoexame. Veja vídeo
Na última década, dados do Ministério da Saúde (MS) apontam que pouco mais de 4 mil homens morreram devido ao câncer de testículo
atualizado
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Quando há um crescimento desordenado de células nas gônadas masculinas, o quadro é classificado como câncer de testículo. A condição está mais associada a homens jovens, dos 15 aos 50 anos. Por outro lado, quando descoberta cedo, a doença tem tratamento e com altas chances de cura.
No levantamento mais recente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), foram registradas pouco mais de 4 mil mortes ligadas ao câncer de testículo na última década. Entre 2016 e 2025, 17 mil pacientes tiveram que realizar cirurgias para retirar a gônada em decorrência da doença. Os dados são do Ministério da Saúde (MS).
A fim de evitar a condição, os urologistas entrevistados pelo Metrópoles são unânimes: a melhor prevenção é a realização do autoexame nos testículos.
“O autoexame testicular é uma das coisas mais simples que um homem pode fazer pelo próprio corpo. Leva menos de dois minutos e não precisa de equipamento nenhum. O melhor momento é durante ou logo após o banho quente, quando o calor relaxa a pele do saco escrotal, e fica mais fácil sentir o que está lá dentro”, explica o urologista Marcelo Schneider Goulart, da clínica EndoUro, em Florianópolis.
Não há outra forma de detectar um tumor maligno nos testículos. Tornar o toque nas gônadas parte da rotina é um passo essencial a fim de se curar de qualquer alteração. Diferentemente de outros, o câncer na região tem um dos melhores prognósticos, com taxas de cura entre 80% a 90%, a depender do caso.
“Recomenda-se iniciar a prática a partir da adolescência, especialmente após a puberdade. Homens jovens são o principal grupo de risco, o que torna esse hábito ainda mais relevante nessa fase da vida”, aponta o urologista André Rezek, do Hospital DF Star, em Brasília.
Conforme alertam os especialistas, a partir da puberdade, recomenda-se fazer o autoexame uma vez ao mês. A qualquer alteração na região, como caroço firme, endurecimento, inchaço, sensação de peso ou dor, é essencial buscar um profissional para investigação. “É importante ressaltar que nem todo caroço é câncer, mas todo caroço precisa ser avaliado”, diz o urologista Alexandre Cavalcante, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.
Veja como fazer o autoexame
O que pode servir de prevenção além do autoexame?
A resposta é simples e curta: nada. Segundo Goulart, não há nenhum cuidado primário para prevenir o câncer de testículo. Seja uma rotina alimentar, suplemento ou hábitos especiais, as ações não são capazes de livrar totalmente o indivíduo do risco da doença.
“A maioria dos fatores de risco, como criptorquidia – condição em que o testículo que não desce para o saco escrotal na infância –, histórico familiar ou alterações genéticas, estão fora do controle do paciente”, diz Goulart.
A única prevenção é realmente a realização do autoexame testicular. Apesar do tabu em volta do tema, conhecer o corpo e saber perceber quando há algo de errado a tempo de procurar ajuda cedo pode melhorar consideravelmente o quadro clínico.
“O constrangimento do paciente em procurar ajuda e a desinformação ainda são muito frequentes nos dias atuais. Os meios de comunicação, as campanhas feitas pela comunidade médica e o apoio de familiares são fundamentais para quebrar essa barreira”, ressalta Cavalcante.
