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Saúde

Homem faz teste genético por saúde aos 45 anos e descobre irmãos biológicos

Exame buscado após episódio de pressão alta revelou parentes desconhecidos e indicou riscos que mudaram o acompanhamento de saúde

12/09/2026 02:00
Arquivo pessoal
Homem faz teste genético por saúde aos 45 anos e descobre irmãos biológicos

Fazer um teste genético para investigar riscos de saúde foi o ponto de partida para uma descoberta que Rodrigo Soares não esperava. Aos 45 anos, o gerente financeiro decidiu realizar o exame após um episódio de pressão alta. O resultado trouxe informações sobre predisposições a doenças, mas também revelou a existência de irmãos biológicos.

Rodrigo, que é brasileiro mas mora no Peru, sempre soube que não havia sido criado pela família de origem. Foi entregue ainda bebê e cresceu com essa informação, mas sem detalhes sobre o seu passado. A decisão de fazer o teste veio anos depois, em novembro de 2025, diante da dificuldade de responder a perguntas básicas em consultas médicas.

“Quando ia ao médico, eles sempre perguntavam sobre meu histórico familiar. Como isso sempre me incomodava, resolvi fazer o teste por uma questão de saúde”, conta.

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Sem referências genéticas, ele buscava entender possíveis riscos. O exame apontou predisposição para algumas condições, como câncer de próstata, diabetes tipo 1 e leucemia linfocítica crônica. A partir disso, ele passou a dar mais atenção aos exames de rotina e ao acompanhamento médico.

O que ele não sabia é que o teste também incluía uma ferramenta de busca por parentes com DNA semelhante. Ao acessar a plataforma, Rodrigo encontrou correspondências tanto do lado materno quanto paterno. “Foi um choque. Vi que tinha DNA compartilhado com algumas pessoas e muitas coisas passaram pela minha cabeça”, relata.

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Ele decidiu entrar em contato. A primeira resposta veio poucas horas depois, de uma mulher que se confirmou como meia-irmã materna. A partir dali, conseguiu reconstruir parte da história. Ela contou que a mãe biológica havia tido um filho ainda jovem e optado pela adoção.

O encontro aconteceu em um restaurante. “Eu não sabia como seria, mas conseguimos conversar. Queria entender o que tinha acontecido, fazer perguntas que sempre ficaram em aberto”, diz.

Do lado paterno, o processo foi diferente. A identificação inicial indicava apenas um possível grau de parentesco. Para confirmar, Rodrigo e o homem apontado como possível irmão decidiram fazer um exame específico. O resultado confirmou o vínculo. “Ele também não sabia da minha existência. Depois disso, conheci outros irmãos e fui acolhido pela família”, afirma.

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Para Rodrigo, o teste é uma ferramenta para tomar decisões mais conscientes sobre a própria saúde.
Rodrigo Soares quando criança
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Rodrigo Soares quando criança

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Para Rodrigo, o teste é uma ferramenta para tomar decisões mais conscientes sobre a própria saúde.
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Para Rodrigo, o teste é uma ferramenta para tomar decisões mais conscientes sobre a própria saúde.

Arquivo pessoal

Como funcionam os testes

Os testes genéticos desse tipo analisam centenas de milhares de regiões do DNA para identificar tanto a origem da pessoa quanto possíveis riscos à saúde. A coleta pode ser feita por saliva, com kits enviados ao consumidor. De acordo com o médico geneticista Ricardo Di Lazzaro, fundador da Genera, os dados são comparados com um banco de amostras para identificar semelhanças.

“Se há segmentos de DNA idênticos entre duas pessoas, isso indica algum grau de parentesco. Quanto maior esse compartilhamento, mais próximo tende a ser o vínculo”, explica.

Segundo ele, é comum encontrar parentes mais distantes, como primos, mas em alguns casos surgem relações mais próximas.

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Apesar da alta precisão, o exame não tem como objetivo principal confirmar vínculos familiares, como ocorre em testes de paternidade. Em alguns casos, pode haver dúvidas entre graus de parentesco semelhantes.

“Existem situações em que não é possível diferenciar exatamente se é um irmão, um tio ou um primo próximo apenas com esse tipo de teste”, afirma o especialista.

Do ponto de vista da saúde, o resultado também exige interpretação cuidadosa. O exame não fecha diagnóstico, mas aponta probabilidades. “Ele indica predisposições. Essas chances podem mudar de acordo com hábitos e fatores ambientais. Por isso, é importante avaliar os dados com acompanhamento médico”, diz.

Mudanças após o exame

Para Rodrigo, o teste teve impacto duplo. Ao mesmo tempo em que possibilitou o contato com a família biológica, trouxe informações que passaram a orientar decisões sobre a própria saúde. Com os resultados em mãos, ele buscou orientação médica e ajustou hábitos, incluindo alimentação e rotina de exames.

“Não encaro como uma previsão de futuro, mas como uma ferramenta para tomar decisões mais conscientes e entender melhor minha história”, afirma.

Hoje, ele mantém contato com os irmãos e segue acompanhando a própria saúde com base nas informações obtidas.