metropoles.com

Gordura no fígado: entenda as causas da doença em pessoas magras

Embora seja mais associada ao excesso de peso, pessoas magras também podem desenvolver gordura no fígado, com sérios riscos para a saúde

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Magicmine/Getty Images
Ilustração de fígado em corpo humano - Metrópoles
1 de 1 Ilustração de fígado em corpo humano - Metrópoles - Foto: Magicmine/Getty Images

A obesidade é um dos principais fatores de risco para o diagnóstico de esteatose hepática, doença conhecida como gordura no fígado. Mas isso não significa que pessoas magras não possam desenvolver a condição.

O quadro é conhecido na medicina como doença hepática esteatósica associada a disfunção metabólica em indivíduos magros. A hepatologista Lisa Saud, do Hospital Nove de Julho, explica que esses pacientes apresentam o mesmo tipo de alteração metabólica observada em quem tem sobrepeso.

“Mesmo em pessoas com peso normal, podem existir mecanismos genéticos e metabólicos que favorecem o acúmulo de gordura nas células do fígado. Também é importante descartar outras causas, como o consumo de álcool e hepatites virais”, afirma a médica.

O que é gordura no fígado?

  • Popularmente chamada de gordura no fígado, a esteatose hepática acontece quando as células do órgão acumulam gordura em excesso.
  • Nos estágios iniciais, a condição costuma ser silenciosa e não apresenta sintomas evidentes.
  • À medida que progride, porém, podem surgir dores na parte superior direita do abdômen, cansaço, fraqueza, perda de apetite, aumento do fígado, inchaço na barriga, dor de cabeça frequente e dificuldade para perder peso.
  • As principais causas estão relacionadas à obesidade, diabetes, colesterol alto e consumo excessivo de álcool.
  • A doença é mais comum em mulheres sedentárias, já que o hormônio estrogênio favorece o acúmulo de gordura no fígado. Ainda assim, pessoas magras, que não bebem, e até crianças também podem desenvolver a condição.

Metabolismo e genética como gatilhos

A médica Natália Trevizoli, gastro-hepatologista do Hospital Santa Lúcia e do Sírio-Libanês, explica que o excesso de gordura hepática não depende apenas do índice de massa corporal.

“Fatores genéticos, hormonais e metabólicos influenciam diretamente a forma como o organismo processa e armazena lipídios”, diz.

Entre os principais gatilhos estão a resistência à insulina, a alimentação rica em açúcares simples e ultraprocessados, o sono irregular e o sedentarismo. Além disso, alterações genéticas, como mutações no gene PNPLA3, aumentam a susceptibilidade à doença mesmo na ausência de obesidade.

Lisa acrescenta que, em muitos casos, há acúmulo de gordura visceral, ou seja, entre os órgãos internos, sem grande aumento de gordura subcutânea. “É o paciente que parece magro, mas tem uma inflamação sistêmica associada a desequilíbrios metabólicos”, esclarece.

Risco igual e diagnóstico mais difícil

As especialistas alertam que o fígado gorduroso em pessoas magras pode evoluir com a mesma gravidade observada em pacientes obesos.

“Esses casos podem progredir para fibrose e até cirrose hepática. O problema é que, por não apresentarem sobrepeso, muitos acabam não sendo rastreados precocemente”, aponta Lisa.

O diagnóstico costuma ser acidental, identificado em exames de rotina ou de imagem. Alterações nas enzimas hepáticas (TGO e TGP) e achados de esteatose na ultrassonografia do abdômen são os primeiros sinais de alerta.

Segundo Natália, um dos exames mais úteis para avaliação é a elastografia hepática, também conhecida como FibroScan. “Ela mede, de forma não invasiva, a rigidez do fígado — um marcador de fibrose — e também quantifica a gordura hepática. É uma ferramenta essencial para identificar quem tem risco de evolução para formas mais graves da doença”, detalha.

Gordura no fígado: entenda as causas da doença em pessoas magras - destaque galeria
4 imagens
A condição de gordura no fígado acomete 30% da população mundial
Alterações na função hepática podem provocar distúrbios do sono, como insônia, sonolência diurna e ciclos de descanso irregulares
No início, as manifestações costumam ser inespecíficas, como cansaço, fraqueza, perda de apetite, náuseas, sensação de inchaço abdominal ou desconforto do lado direito do abdome
A esteatose hepática é popularmente conhecida como gordura no fígado
1 de 4

A esteatose hepática é popularmente conhecida como gordura no fígado

Mohammed Haneefa Nizamudeen/Getty Images
A condição de gordura no fígado acomete 30% da população mundial
2 de 4

A condição de gordura no fígado acomete 30% da população mundial

Magicmine/Getty Images
Alterações na função hepática podem provocar distúrbios do sono, como insônia, sonolência diurna e ciclos de descanso irregulares
3 de 4

Alterações na função hepática podem provocar distúrbios do sono, como insônia, sonolência diurna e ciclos de descanso irregulares

Science Photo Library - SCIEPRO/Getty Images
No início, as manifestações costumam ser inespecíficas, como cansaço, fraqueza, perda de apetite, náuseas, sensação de inchaço abdominal ou desconforto do lado direito do abdome
4 de 4

No início, as manifestações costumam ser inespecíficas, como cansaço, fraqueza, perda de apetite, náuseas, sensação de inchaço abdominal ou desconforto do lado direito do abdome

Magicmine/Getty Images

Tratamento

Diferentemente de outros quadros, o tratamento do fígado gorduroso em pessoas magras não tem foco na balança, mas sim no metabolismo. “O objetivo é melhorar a qualidade metabólica e reduzir a inflamação sistêmica”, diz Lisa.

Entre as recomendações estão ajuste alimentar, atividade física regular e controle de condições associadas, como resistência à insulina e hipertensão arterial.

Além disso, mudanças simples de estilo de vida, como reduzir o consumo de açúcares, ultraprocessados e álcool, manter sono adequado e praticar exercícios, podem reverter boa parte dos casos.

Em situações específicas, o tratamento pode incluir medicamentos, como a pioglitazona, a vitamina E ou os agonistas do receptor GLP-1, como a semaglutida. “Essas terapias só devem ser indicadas por especialistas e sempre associadas a mudanças de hábito”, reforça Natália.

Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto!

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSaúde

Você quer ficar por dentro das notícias de saúde mais importantes e receber notificações em tempo real?