Ginecologistas alertam sobre os impactos do peso na saúde feminina
Excesso de peso pode provocar alterações hormonais, afetar o ciclo menstrual e aumentar o risco de doenças na saúde ginecológica
atualizado
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O impacto do peso corporal na saúde ginecológica vai muito além da aparência física. Alterações hormonais provocadas pelo acúmulo de gordura no organismo podem interferir diretamente no ciclo menstrual, na fertilidade e até no risco de algumas doenças.
Segundo o ginecologista Evandro Silva, que atende no Hospital Anchieta, o excesso de peso precisa ser analisado de forma ampla, já que ele influencia diferentes sistemas do corpo.
“O excesso de peso não impacta apenas a saúde ginecológica. Ele aumenta o risco de doenças cardiovasculares e também está relacionado a alguns tipos de câncer, especialmente em mulheres que estão na menopausa”, explica o especialista.
Mesmo assim, muitas das consequências aparecem primeiro no funcionamento hormonal e reprodutivo.
Alterações hormonais podem mudar o ciclo menstrual
Uma das principais consequências do excesso de peso é a alteração nos hormônios femininos. Isso acontece porque o tecido adiposo também participa de processos hormonais no organismo.
De acordo com Evandro, essas alterações podem modificar o padrão da menstruação. “Hormônios como estrogênio e progesterona podem sofrer alterações em mulheres com obesidade. Isso pode provocar mudanças no fluxo menstrual e até dificuldades para menstruar em alguns casos”, afirma.
Fertilidade pode ser afetada
Problemas para engravidar também podem estar relacionados ao excesso de peso. Embora a endometriose seja uma das principais causas de infertilidade feminina, o desequilíbrio hormonal provocado pela obesidade pode dificultar a ovulação.
Quando a ovulação não ocorre de forma regular, as chances de uma gestação diminuem, diz o especialista.
Risco maior de algumas doenças ginecológicas
O ginecologista Paulo Guimarães, que atende no Hospital Santa Marta, explica que a gordura corporal, principalmente a gordura visceral, tem participação ativa na produção de hormônios.
Segundo ele, esse processo pode provocar alterações importantes no organismo feminino. “A gordura também funciona como um tecido que produz hormônios. Isso pode provocar alterações no útero, nas mamas e aumentar o risco de algumas doenças”, destaca.
Entre os problemas que podem estar associados estão a síndrome dos ovários policísticos e alguns tipos de câncer ginecológico, como o de endométrio.
Além disso, o especialista ressalta que o excesso de peso também pode trazer impactos metabólicos, como resistência à insulina, condição que aumenta o risco de pré-diabetes e diabetes tipo 2.
Mudanças no estilo de vida fazem diferença
Apesar dos riscos, especialistas afirmam que hábitos saudáveis podem ajudar a proteger a saúde ginecológica.
Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento médico são fatores importantes para reduzir os impactos do excesso de peso no organismo.
Evandro ressalta que o melhor caminho ainda é a prevenção. “Manter uma rotina saudável e realizar acompanhamento ginecológico regular permite identificar alterações precocemente e preservar a saúde da mulher”, afirma.
Para os especialistas, entender a relação entre peso corporal e o funcionamento hormonal é essencial para que as mulheres possam cuidar melhor da própria saúde ginecológica ao longo da vida.
