Fiocruz: volta às aulas expõe 9,3 milhões de grupos de risco da Covid-19

Levantamento levou em consideração idosos e adultos com comorbidades que dividem a casa com crianças e adolescentes

GDF publica cronograma de reabertura de atividades, incluindo escolasHUGO BARRETO/METRÓPOLES

atualizado 23/07/2020 11:58

Um levantamento do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fiocruz (Icict/Fiocruz) apontou que a volta às aulas poderá afetar cerca de 9,3 milhões de pessoas vulneráveis à infecção do novo coronavírus. A flexibilização deve expor idosos e pessoas com comorbidades que dividem a casa com estudantes de 3 a 17 anos.

Aproximadamente 5,4 milhões de brasileiros acima de 60 anos vivem com pelo menos menos uma criança ou adolescente em idade escolar. Outros 3,9 milhões de adultos, com 18 a 59 anos, na mesma situação, têm diabetes, doenças do coração ou pulmonares, consideradas comorbidades que podem agravar a manifestação da Covid-19.

O retorno desses estudantes às salas de aula, mesmo que de forma gradativa, aumenta as chances de transmissão do novo coronavírus, uma vez que eles sairão do isolamento e terão contato com outras pessoas nas escolas e no transporte público, por exemplo.

Os pesquisadores preveem que a volta às aulas pode representar uma demanda de 900 mil pessoas por vagas em unidades de terapia intensiva (UTIs), caso 10% dessa população seja contaminada e precise de cuidados intensivos. “Além disso, se aplicarmos a letalidade brasileira nesse cenário, estaremos falando de algo como 35 mil novos óbitos, somente entre esses grupos de risco”, afirmou o epidemiologista Diego Xavier, um dos responsáveis pelo estudo, em entrevista ao jornal Estadão.

Os números foram projetados com base nas informações da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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