Falta de vitamina K ao nascer eleva risco de sangramento em bebês
Pesquisa encontrou maior risco de hemorragias, inclusive cerebrais, entre recém-nascidos que não receberam a injeção de vitamina K

Recém-nascidos que não recebem a injeção de vitamina K logo após o nascimento apresentam maior risco de desenvolver sangramentos, incluindo hemorragias no cérebro. A conclusão é de um estudo publicado em 13 de julho na revista JAMA Pediatrics.
A pesquisa analisou dados de mais de dois milhões de bebês nascidos na Suécia entre 2003 e 2021 e também identificou um aumento gradual no número de pais que recusaram a aplicação da vitamina ao longo dos anos.
Segundo os autores, os resultados reforçam a importância da injeção para prevenir complicações que podem colocar a vida do bebê em risco.
Para que serve a vitamina K
- A vitamina K é um nutriente essencial para o organismo e tem papel importante na coagulação do sangue, ajudando a reduzir o risco de hemorragias.
- Ela também participa da saúde óssea ao favorecer a fixação de cálcio nos ossos, contribuindo para a manutenção da massa óssea.
- A vitamina K1 é encontrada principalmente em vegetais de folhas verde-escuras, como couve, espinafre e brócolis, além de frutas como kiwi, morango e uva.
- Já a vitamina K2 é produzida pela microbiota intestinal e também está presente em alguns alimentos de origem animal.
- Quando há indicação médica ou nutricional, a vitamina K pode ser utilizada na forma de suplementos, como cápsulas, comprimidos ou injeções.
Por que a vitamina K é aplicada ao nascer
A vitamina K é essencial para que o organismo produza proteínas responsáveis pela coagulação do sangue. Sem ela, o corpo tem mais dificuldade para interromper sangramentos. Os recém-nascidos têm níveis naturalmente baixos dessa vitamina.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaDurante a gestação, apenas pequenas quantidades passam da mãe para o bebê. Além disso, o leite materno contém pouca vitamina K e o intestino do recém-nascido ainda não produz quantidades suficientes da substância. Por esse motivo, a aplicação logo após o nascimento faz parte dos cuidados de rotina em diversos países.
O que o estudo mostrou
Os pesquisadores acompanharam 2.020.302 bebês nascidos com pelo menos 35 semanas de gestação. Durante o período analisado, 24.089 recém-nascidos não receberam a injeção de vitamina K. Embora a recusa ainda seja pouco frequente, ela mais que dobrou ao longo do estudo, passando de 0,66% em 2006 para 1,5% em 2021.
A análise mostrou que os bebês que não receberam a vitamina apresentaram risco 50% maior de sangramentos nos primeiros seis meses de vida. O risco de hemorragia intracraniana, um tipo de sangramento que ocorre no cérebro, foi quase três vezes maior em comparação com os bebês que receberam a aplicação.

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Ver todasGotas orais foram menos eficazes
Em alguns casos, quando os pais recusam a injeção ou o bebê apresenta alguma condição específica, como hemofilia, a vitamina K pode ser administrada por via oral. No entanto, o estudo mostrou que os bebês que receberam as gotas também apresentaram mais que o dobro do risco de sangramento em relação aos que receberam a injeção.
Segundo os pesquisadores, uma possível explicação é que o tratamento oral exige doses repetidas durante várias semanas, o que aumenta a chance de esquecimentos ou de uso irregular.
Mais informações para os pais
Os autores afirmam que os resultados reforçam evidências já existentes sobre a eficácia da aplicação da vitamina K ao nascimento na prevenção de hemorragias em recém-nascidos.
Eles também defendem que pais e cuidadores recebam mais informações sobre a importância da injeção e afirmam que novas pesquisas podem ajudar a entender por que algumas famílias optam por recusar a aplicação.



