Mpox: estudo mostra evolução inusitada na doença e recomenda atenção
Pesquisa sugere que, além de causar sintomas físicos, a infecção pelo vírus mpox poderia afetar a fertilidade masculina
atualizado
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Pouco mais de três anos depois de causar uma emergência de saúde pública internacional, a mpox continua a chamar a atenção de pesquisadores. Em um novo estudo, cientistas do Canadá encontraram uma evolução curiosa do vírus em camundongos: mesmo após semanas de infecção, a cepa responsável pela difusão do vírus pelo mundo continuou nos testículos dos animais e causou prejuízos nos tecidos.
A descoberta sugere que, além de causar febre, dores, calafrios e erupções cutâneas, a doença poderia afetar a fertilidade masculina. Ainda não foram realizados testes em humanos.
O estudo foi liderado por cientistas de diferentes universidades do Canadá. Os resultados foram publicados em versão pré-print no bioRxiv em meados de dezembro.
Trato reprodutivo masculino pode ser reservatório para o vírus
Ao analisar ratos infectados com o clado llb, os pesquisadores observaram que os animais passaram ao menos três semanas com o vírus nos testículos. A hipótese é de que o trato reprodutivo masculino pode funcionar como um reservatório para o agente infeccioso e, por isso, o contato sexual seria uma das principais formas de transmissão.
Os danos aos tecidos relatados na pesquisa também provocaram uma queda na produção de espermatozoides.
“Esperávamos observar alguma inflamação ou desorganização, mas constatar que essa infecção potencialmente afetava a fertilidade masculina foi chocante”, aponta a coautora do estudo, Alyson Kelvin, em entrevista à Nature.
O que é mpox?
A doença não é nova e infecta humanos desde a década de 1970. Ao entrar em contato com o organismo, o vírus pode causar lesões dolorosas e com bastante líquido sobre a pele. Em alguns casos, a condição pode levar até a morte.
Anteriormente, a mpox pouco preocupava as autoridades, devido ao baixo risco de transmissão. No entanto, a partir da década de 2010, uma das cepas do vírus causou o primeiro grande surto na Nigéria. Em 2022, a difusão foi global, com mais de 100 mil pessoas infectadas.
Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter declarado o fim da emergência de saúde pública de importância internacional um ano depois, em maio de 2023, o surto global continua em curso e preocupa especialistas.
Atualmente, existem quatro clados conhecidos da mpox: o la, Ib, IIa e IIb, com o último sendo responsável pela alta de casos em 2022s. O principal objetivo dos cientistas é entender as particularidades de cada agrupamento da doença para evitar novos surtos.
Investigação contínua
Além do novo estudo, outros trabalhos continuam investigando os desdobramentos da doença. A vigilância é essencial para evitar que novas cepas do mpox escapem da proteção vacinal e aumentem o risco de novos surtos.
“Nossas descobertas mostram que o mpox é uma ‘caixa de surpresas’. O vírus causaram duas emergências de saúde pública nos últimos três anos, então precisamos prestar atenção a ele”, ressalta a especialista da Universidade de Calgary, no Canadá.

















