Estudo: Sars-CoV-2 perde 90% da capacidade de infecção após 20 minutos

Cientistas mediram a estabilidade e a sobrevivência do coronavírus em gotículas de aerossol no ar, com diferentes umidades relativas

atualizado 12/01/2022 12:00

ilustração de um coronavírusAlexandr Gnezdilov Light Painting/Getty Images

Pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, identificaram que as partículas do Sars-CoV-2 que ficam no ar perdem 90% da capacidade de infecção após 20 minutos. Os cientistas mediram a estabilidade e a sobrevivência do coronavírus em gotículas de aerossol em escalas de tempo que variaram de cinco segundos a 20 minutos.

Uma partícula de aerossol respiratório é gerada por ações como tossir e falar — são gotículas expelidas pelo organismo. A sobrevivência do vírus no ar depende de uma série de fatores ambientais, como umidade do ar e volume da gotícula expelida.

Segundo o estudo, as gotículas de aerossol exaladas perdem rapidamente tanto a umidade quanto o calor por conta da evaporação, gerando mudanças no volume e temperatura. Além disso, a carga viral presente no indivíduo infectado também influencia as condições de disseminação da Covid-19.

“Uma diminuição na infecciosidade para 10% do valor inicial foi observada para Sars-CoV-2 ao longo de 20 minutos, com uma grande proporção da perda ocorrendo nos primeiros 5 minutos após a aerossolização”, indicaram os pesquisadores.

Os cientistas apontam que a perda da capacidade de infecção está relacionada com a transformação física da gota de aerossol. Os sais dentro das gotículas cristalizam mais rápido quando a umidade do ar está abaixo de 50%, levando a uma perda quase instantânea de quase 60% da habilidade de contaminação.

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“No entanto, a 90% de umidade, a gota permanece homogênea e aquosa, e a estabilidade viral é mantida pelos primeiros dois minutos, após os quais decai para apenas 10%, permanecendo infecciosa após 10 minutos”, afirma o documento.

Método

Os cientistas criaram um cenário de transmissão do vírus com as gotículas sendo expelidas com a presença de raios ultravioletas em níveis comuns e umidade relativa do ar variando entre 40% e 70%. Foi usada saliva artificial e os aerossóis com o coronavírus foram compostos por meio de cultura celular. O diâmetro das partículas tinham o tamanho médio das gotículas lançadas por humanos.

Além disso, um nebulizador foi usado para gerar uma nuvem de vírus. Segundo o estudo, as condições ambientais iniciais podem ser controladas misturando a saída do nebulizador com um fluxo de umidade e ar com temperatura controlada.

A pesquisa foi divulgada na plataforma MedRxiv, associada à Universidade de Yale. Trata-se de uma versão pré-print que não foi revisada por pares e, portanto, ainda não pode orientar práticas científicas.

Influência da umidade do ar

Os pesquisadores observaram que uma diminuição na infectividade do coronavírus em baixa umidade do ar ocorre quase imediatamente, caindo para uma média de 54% dentro de cinco segundos após a geração das gotículas. Depois disso, as condições do vírus se estabilizam e a capacidade de transmissão diminui em média 19% nos próximos cinco minutos.

Em uma umidade do ar mais alta, a redução da infectividade é mais gradual, com uma perda constante de 48% nos primeiros cinco minutos.

O declínio na sobrevivência parece estabilizar em ambos os casos após 10 minutos e a diferença entre a infectividade nas partículas de aerossol suspensas nas duas situações diminui ao longo do tempo, até que se iguala após 20 minutos.

Em condições com a umidade de 80% e acima, o vírus é muito mais estável, com a infectividade raramente caindo abaixo de 80% após 2 minutos.

Influência do pH das gotículas

Além disso, o pH das gotículas de aerossol também influencia a sobrevivência do coronavírus. A sobrevivência média diminuiu consideravelmente acima de pH 9, sendo que apenas 7% do vírus permaneceu infeccioso após 20 minutos em um pH de 11,2. Nenhuma diminuição significativa na infectividade foi observada com o pH variando de 5,5 a 9.

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