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Saúde

Estudo encontra 19 substâncias químicas nos dentes de crianças com autismo

Análise de dentes de leite de 38 crianças encontrou diferenças em compostos, mas não permite afirmar que a exposição causa autismo

09/10/2026 12:49
KamranAydinov/Magnific
Dentista analisa radiografia. Metrópoles

Uma análise de dentes de leite encontrou 19 substâncias químicas em concentrações significativamente maiores em crianças com autismo do que naquelas sem o diagnóstico. Os compostos são usados em diferentes produtos, como plásticos, pesticidas, fragrâncias e itens de higiene pessoal.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que o estudo não permite afirmar que a exposição a essas substâncias cause autismo.

O trabalho foi publicado em 6 de agosto na revista Neurotoxicology and Teratology. A equipe analisou dentes de leite doados pelas famílias de 38 crianças, sendo 22 com autismo e 16 sem o diagnóstico, que formaram o grupo de comparação.

Os pesquisadores utilizaram os dentes para investigar a exposição a substâncias químicas durante a gestação e os primeiros anos de vida. Diferente de exames de sangue e urina, que registram a presença de compostos em períodos mais curtos, os dentes podem preservar sinais da exposição acumulada durante sua formação.

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O que os dentes revelam

Os dentes de leite começam a se formar ainda durante a gestação, por volta do quarto mês, e continuam seu desenvolvimento até aproximadamente os três anos de idade. Por isso, podem guardar informações sobre a exposição a substâncias químicas nesse período.

A equipe limpou e preparou as amostras e utilizou técnicas laboratoriais para identificar compostos presentes nos dentes. Foram encontradas, em média, mais de 300 substâncias químicas em cada amostra, embora nem todas estivessem presentes em todas as crianças.

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Para aprofundar a análise, os cientistas se concentraram em 60 compostos detectados em pelo menos metade dos participantes. Desse conjunto, 39 eram substâncias classificadas pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) como tóxicas para o desenvolvimento ou a reprodução, ou identificadas como desreguladores endócrinos, capazes de interferir no funcionamento hormonal.

Entre os 60 compostos analisados, 95% apresentaram concentrações mais altas no grupo de crianças com autismo. No entanto, apenas 19 diferenças atingiram significância estatística, ou seja, foram suficientemente consistentes para atender ao critério estatístico adotado pelos pesquisadores.

Uma das maiores diferenças

Uma das substâncias que chamou a atenção foi o benzoato de benzila, encontrado em concentrações 722% maiores nos dentes das crianças com autismo em comparação com o grupo de controle.

O composto é utilizado em produtos de higiene pessoal, como aditivo alimentar e em tratamentos contra piolhos e sarna.

Os pesquisadores também identificaram diferenças em grupos de substâncias como organofosforados, ftalatos, salicilatos e compostos derivados do ácido benzoico. Esses produtos químicos têm diferentes aplicações industriais e podem estar presentes em itens de uso cotidiano.

A presença dessas substâncias nos dentes, contudo, não significa que todas as crianças tenham sido expostas às mesmas fontes ou nas mesmas quantidades. O estudo identificou diferenças nas concentrações, mas não determinou de onde vieram os compostos nem estabeleceu uma relação de causa e efeito com o autismo.

O que os resultados significam

A pesquisa faz parte das investigações sobre possíveis relações entre fatores ambientais e o desenvolvimento do autismo. A condição envolve fatores genéticos e ambientais, mas ainda não há evidências que permitam atribuir sua ocorrência a uma substância química específica.

Uma das autoras do estudo, a cientista ambiental Lynne Heilbrun, da Universidade do Texas em San Antonio, nos Estados Unidos, explica que os dentes podem complementar outros métodos de avaliação da exposição química.

“Os dentes captam exposições cumulativas ao longo de longos períodos de tempo, enquanto as amostras de sangue ou urina mostram apenas um período específico”, afirmou Heilbrun, em comunicado.

A pesquisadora ressalta que os dois tipos de análise são necessários para compreender melhor a exposição ao longo da vida.

Por ser um estudo piloto, a pesquisa tem limitações importantes. A amostra é pequena, com apenas 38 crianças, e os resultados precisam ser investigados em grupos maiores. Também são necessárias novas pesquisas para entender se as diferenças encontradas têm alguma relação com o desenvolvimento do autismo ou se refletem outros fatores.