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Saúde

Infecções congênitas raras na gravidez podem triplicar o risco de autismo

A nova pesquisa concentrou-se nas infecções congênitas por TORCH, uma categoria que pode incluir citomegalovírus, rubéola e toxoplasmose

24/09/2026 12:13
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Foto colorida de mulher grávida com a mão na barriga em vrente a uma estrutura de vidro - Metrópoles

Um novo estudo identificou que infecções congênitas – ou seja, aquelas em que um agente infeccioso é transmitido pela mãe ao feto durante a gestação – podem triplicar o risco de a criança desenvolver Transtorno do Espectro Autista (TEA) a longo prazo. A probabilidade para o diagnóstico de deficiência intelectual foi mais de sete vezes maior.

A nova pesquisa liderada pelo Instituto Karolinska, uma universidade sueca, concentrou-se nas infecções congênitas por TORCH, uma categoria que inclui citomegalovírus, rubéola, toxoplasmose, herpesvírus e outras infecções como sífilis, HIV, zika e hepatite B. Os resultados do trabalho foram publicados na revista JAMA Pediatrics nesta segunda-feira (21/9).

Normalmente, as infecções citadas não atingem diretamente o feto em desenvolvimento, porém, em algumas ocasiões, os patógenos podem atravessar a placenta e infectar o bebê.

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Risco de autismo e deficiência intelectual grave

No estudo, foram examinados registros de saúde e educação de 3,7 milhões de suecos nascidos entre 1987 e 2021. Dentre eles, 975 foram diagnosticados com infecção congênita por TORCH. Ao todo, os participantes foram acompanhados pelos pesquisadores por até três décadas, a fim de analisar se, de fato, as infecções estavam ligadas a diagnósticos posteriores de condições do neurodesenvolvimento e impactos no desempenho educacional.

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Como resultado, a prevalência de autismo entre as crianças com infecção congênita por TORCH foi cerca de três vezes maior do que entre as não afetadas, sendo que o risco de diagnóstico para o TEA nível 1 foi mais de sete vezes superior, enquanto para os níveis 2 e 3 o risco aumentou em até 30 vezes.

Apesar do risco encontrado, os pesquisadores ressaltam que infecções congênitas por TORCH são situações raras, o que, por consequência, faz com que elas representem apenas uma pequena proporção dos casos de autismo e condições do neurodesenvolvimento na população como um todo.

Por outro lado, em nível individual, estima-se que cerca de uma em cada cinco crianças com infecção congênita por TORCH tenha chances de receber o diagnóstico de autismo futuramente. Segundo os pesquisadores, este é o estudo mais abrangente a investigar a relação entre essas condições.

“Já se sabe há muito tempo que essas infecções podem causar condições do neurodesenvolvimento. No entanto, a ligação com o autismo era menos clara em pesquisas anteriores, que muitas vezes se baseavam em pequenos grupos de pacientes”, afirma o principal autor do estudo, Hugo Sjöqvist, em comunicado.

Os pesquisadores afirmam que os resultados obtidos demonstram a importância de prevenir infecções capazes de serem transmitidas ao feto durante a gravidez.

“Nossos resultados sugerem que certas infecções transmitidas ao feto durante a gravidez podem ter efeitos a longo prazo no desenvolvimento cerebral. Embora essas infecções congênitas sejam raras, algumas delas podem ser prevenidas, o que as torna importantes do ponto de vista da saúde pública”, aponta um dos autores do estudo, Renée Gardner.