Estresse na gravidez pode prejudicar desenvolvimento cerebral

Os pesquisadores descobriram que bebês cujas mães declararam ter passado por situações tensas apresentaram alterações cerebrais

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atualizado 09/10/2019 18:10

A saúde do bebê pode ser influenciada por situações estressantes vividas pela mãe, segundo um estudo feito pelo King’s College London. De acordo com o trabalho, publicado na revista especializada Biological Psychiatry, altos níveis de estresse materno podem influenciar o desenvolvimento neurológico de crianças prematuras, tornando-as mais suscetíveis a desenvolver ansiedade, comportamentos antissociais e transtorno obsessivo compulsivo (TOC).

Os pesquisadores entrevistaram, por meio de questionários, 251 mães de bebês prematuros a respeito de experiências estressantes que elas tiveram durante a gravidez, como mudança de casa, demissão, divórcio ou morte de alguém próximo. As crianças nasceram entre 23 e 33 semanas de gestação.

Quando completaram 37 semanas, as crianças foram avaliadas por meio de exames de ressonância magnética. Os testes analisaram a estrutura do conjunto de células que é responsável, entre outras coisas, por nutrir os neurônios e os gânglios cerebrais.

Os pesquisadores descobriram que os bebês cujas mães declararam ter passado por mais situações de estresse antes ou durante a gravidez apresentaram alterações nessas estruturas.

As mudanças foram observadas, principalmente, na parte da cabeça que conecta a amígdala ao córtex pré-frontal, área que atua nas emoções, no aprendizado e na memória.

A explicação para o problema seria o excesso de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. A substância seria capaz de atingir o bebê no útero, através da placenta, e provocar variações em seu desenvolvimento. Os pesquisadores também observaram um aumento de noradrenalina – neurotransmissor que influencia no humor, ansiedade, sono e alimentação –, além da diminuição da dopamina e da serotonina, substâncias conhecidas como “hormônios da felicidade”.

Agora, os cientistas pretendem realizar novos estudos para descobrir se essas mudanças podem alterar o cérebro e o comportamento das crianças a longo prazo. (Com informações do Daily Mail)

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