Estimulação cerebral revela sinal que prevê melhora da depressão

Estudo identificou um padrão elétrico no cérebro capaz de indicar quem responde melhor ao tratamento

atualizado

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Ilustração de duas pessoas de perfil, uma com cérebro com sol, outra com chuva - Metrópoles
1 de 1 Ilustração de duas pessoas de perfil, uma com cérebro com sol, outra com chuva - Metrópoles - Foto: Richard Drury/ Getty Images

*Aviso: esta matéria aborda temas como depressão e suicídio. Se você enfrenta problemas ou conhece alguém que está nessa situação, veja ao final do texto onde buscar apoio.

A estimulação cerebral profunda — técnica que usa eletrodos implantados em áreas específicas do cérebro — pode funcionar para parte das pessoas com depressão grave que não melhoram com medicamentos ou terapia.

Em um estudo publicado nesta terça-feira (18/11) na revista Nature Communications, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Jiao Tong de Xangai, na China, analisaram 26 pacientes e mostraram que metade deles teve resposta significativa ao tratamento com estimulação cerebral profunda . O mais importante, porém, foi a descoberta de um “sinal elétrico” que ajuda a prever quem tem mais chance de melhorar.

Os pesquisadores explicam que a depressão resistente é um dos maiores desafios da psiquiatria. Muitas pessoas passam por vários tipos de antidepressivos, psicoterapia e outros tratamentos sem conseguir alívio suficiente.

A equipe investigou se estimular regiões profundas do cérebro — especialmente o chamado núcleo do leito da estria terminal (BNST, na sigla em inglês), envolvido em estresse e ansiedade, e o nucleus accumbens, ligado à motivação — poderia reorganizar circuitos cerebrais desregulados.

Durante o acompanhamento, que durou até um ano, 13 dos 26 participantes tiveram redução consistente dos sintomas, e nove chegaram a uma remissão quase completa.

Mas o ponto central da pesquisa foi a identificação de um biomarcador: pacientes que apresentavam menor atividade elétrica na faixa teta (4 a 8 Hz) no BNST antes da cirurgia tinham maior probabilidade de responder bem à estimulação.

Segundo o artigo, esse padrão elétrico não só estava presente antes do tratamento, como também mudava durante a estimulação. Quando a atividade teta diminuía, os sintomas também melhoravam, o que reforça a ideia de que esse sinal pode guiar intervenções mais precisas.

Para chegar a essas conclusões, a equipe combinou gravações intracranianas, exames de imagem, avaliações psicológicas e modelos computacionais. Eles também identificaram que a comunicação entre o córtex pré-frontal e o BNST é fundamental para esse processo, formando um circuito que parece estar diretamente ligado à melhora dos pacientes.

Os cientistas sugerem que, no futuro, o próprio dispositivo de estimulação poderá funcionar de forma adaptativa, ajustando a intensidade do impulso elétrico conforme o cérebro responde.

Os autores destacam que os resultados são promissores, mas ainda iniciais e que será necessário um ensaio clínico mais rigoroso para confirmar as descobertas.

*Se você está passando por depressão, tendo pensamentos de suicídio ou conhece alguém nessa situação, procure apoio. Você pode ligar ou conversar pelo chat dos seguintes serviços:

    • Centro de Valorização da Vida (CVV): 188 (24h, ligação gratuita e sigilosa) ou pelo site cvv.org.br;
    • Samu: 192 em situações de emergência médica;
    • CRAS/CRAS locais e serviços de saúde mental do SUS também oferecem suporte psicológico.

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