Especialistas ensinam como reconhecer sinais suicidas em cada fase da vida
Comportamentos suicidas podem variar dependendo da fase da vida. Procurar ajuda profissional ao perceber primeiros sinais é essencial

*Aviso: esta matéria aborda temas como depressão e suicídio. Se você enfrenta problemas ou conhece alguém que está nessa situação, veja ao final do texto onde buscar apoio.
Reconhecer os sinais de alerta da depressão grave pode ser o primeiro passo para salvar uma vida. É o que explica a psicóloga e especialista em saúde mental Luana Carvalho, que atende pessoas em crise e vê na escuta atenta uma das ferramentas mais poderosas de prevenção ao suicídio.
Segundo Luana, existem algumas formas de ajudar pessoas com pensamentos de autocídio. O primeiro passo é não deixar a pessoa em questão sozinha e levar o sofrimento dela a sério. É importante ouvi-la sem julgamentos e mostrar que ela não precisa enfrentar tudo sozinha.

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Ver todasO segundo passo é encontrar ajuda profissional, seja com um psicólogo ou psiquiatra. “Nesse momento, mais do que tentar encontrar as palavras perfeitas, o importante é estar presente e ajudar a pessoa a chegar até o cuidado adequado”, explica a psicóloga.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaSinais de que algo está errado em cada fase da vida
Alguns sinais precisam de maior atenção, principalmente quando aparecem juntos ou representam uma mudança importante no comportamento. Ações como começar a falar sobre morte, desaparecer, não querer mais viver ou dizer que seria melhor não existir devem acender um alerta.
Também podem aparecer isolamento, desesperança, alterações importantes no sono e no apetite, perda de interesse pelas coisas, despedidas incomuns, organização de assuntos pessoais ou doação de objetos de valor emocional.
A depender da faixa etária, comportamentos específicos podem ser observados. Mesmo que os sinais básicos sejam parecidos, a forma como o sofrimento aparece pode mudar.
Luana explica que, em adolescentes, é comum observar irritabilidade, isolamento, queda no rendimento escolar, mudanças repentinas no comportamento e conflitos mais intensos. Nos adultos, podem aparecer esgotamento, desesperança, afastamento das pessoas, perda de interesse e sensação de que não existe saída para os problemas.
Já nos idosos, é preciso prestar atenção ao isolamento, perda de autonomia, sentimentos de inutilidade, luto, abandono, mudanças no comportamento e falas relacionadas a ser um peso para a família.
“Mas não devemos olhar apenas para a idade, precisamos observar a mudança em relação ao comportamento habitual daquela pessoa”, afirma a psicóloga.
Cuidando de quem cuida
É importante que quem é suporte para aqueles que estão passando por depressão e pensamentos de suicídio tenha espaço para viver a própria vida, sem tomar os problemas de outras pessoas para si.
“Familiares e amigos podem acabar assumindo uma responsabilidade muito grande e acreditar que precisam resolver tudo sozinhos. Isso pode gerar ansiedade, culpa, exaustão e até sensação de impotência. É preciso entender que ser uma pessoa de apoio não significa ser o tratamento. Todos podem acolher, mas o cuidado precisa ser compartilhado com profissionais”, explica a psicóloga.
A psiquiatra Elaine Bida, que atende em Brasília, lembra que cuidadores, enquanto rede de apoio, devem se cercar de alternativas de promoção de saúde mental como prática de exercícios, técnicas de meditação, interações sociais e atividades onde possam se sentir úteis e acolhidos.
“Manter a nossa saúde mental em dia é essencial para ajudar quem precisa sem nos sentirmos culpados ou responsáveis. A prevenção é o melhor remédio”, afirma.
*Se você está passando por depressão, tendo pensamentos de suicídio ou conhece alguém nessa situação, procure apoio. Você pode ligar ou conversar pelo chat dos seguintes serviços:
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- Centro de Valorização da Vida (CVV): 188 (24h, ligação gratuita e sigilosa) ou pelo site cvv.org.br;
- Samu: 192 em situações de emergência médica;
- CRAS/CRAS locais e serviços de saúde mental do SUS também oferecem suporte psicológico.



