Esôfago criado em laboratório funciona em teste com porcos

Estudo mostra órgão bioengenheirado capaz de ajudar na deglutição e aponta caminho para futuras terapias

atualizado

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Foto colorida de porcos reunidos no chiqueiro - Metrópoles.
1 de 1 Foto colorida de porcos reunidos no chiqueiro - Metrópoles. - Foto: Freepik

Um esôfago criado em laboratório conseguiu ajudar porcos a voltar a engolir após transplante, segundo estudo publicado na última sexta-feira (20/3) na revista Nature Biotechnology. A pesquisa ainda é experimental, mas representa um avanço importante na tentativa de reconstruir órgãos danificados.

Os cientistas desenvolveram um pequeno segmento de esôfago em laboratório e o implantaram em animais. Após o procedimento, o tecido mostrou capacidade de se integrar ao organismo e participar da passagem de alimentos — uma das funções principais do órgão.

Como o esôfago foi desenvolvido

Para criar o esôfago, os pesquisadores usaram a estrutura de um órgão de porco doador. Esse material passou por um processo que remove as células originais, deixando apenas uma espécie de “molde” do tecido.

Depois, esse molde foi preenchido com células do próprio animal que receberia o transplante. Essas células foram cultivadas em laboratório até formar um novo tecido com características semelhantes às do esôfago natural.

O resultado foi um enxerto com diferentes camadas, incluindo células musculares, que são essenciais para empurrar o alimento até o estômago.

O que aconteceu após o transplante

O estudo foi feito em porcos, justamente porque eles têm o sistema digestivo parecido com o humano. Os pesquisadores implantaram um trecho do esôfago criado em laboratório para substituir uma parte do órgão original.

Após a cirurgia, os animais apresentaram boa recuperação e o novo tecido passou a funcionar junto com o corpo. Foram observados:

  • Formação de vasos sanguíneos no local.
  • Desenvolvimento de tecido muscular.
  • Sinais de atividade que ajudam na movimentação do alimento.

Com o tempo, o enxerto também começou a adquirir características mais próximas de um esôfago natural. Hoje, pessoas com doenças graves no esôfago — como câncer ou malformações — muitas vezes precisam de cirurgias complexas.

Em alguns casos, partes do estômago ou do intestino são usadas para substituir o órgão. Esses procedimentos podem trazer complicações e nem sempre funcionam perfeitamente.

A proposta do estudo é diferente: criar um órgão mais parecido com o original e, no futuro, adaptar ao próprio paciente. Isso pode reduzir riscos e melhorar os resultados das cirurgias.

Ainda não é para humanos

Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores destacam que a técnica ainda precisa ser mais estudada antes de ser testada em pessoas. Entre os desafios estão entender como esse tecido se comporta a longo prazo e se ele conseguiria crescer junto com o corpo, especialmente em crianças.

Também foram observados alguns problemas, como estreitamento do esôfago em parte dos casos, o que exigiu acompanhamento. O principal avanço do trabalho é provar que é possível criar, em laboratório, um tecido que não apenas se integra ao corpo, mas também desempenha funções importantes.

Ainda não é uma solução disponível para pacientes, mas é um passo importante para o desenvolvimento de órgãos produzidos em laboratório — uma área que pode transformar a medicina nos próximos anos.

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