Epidemia em curso: infectologista alerta para alta de casos de sífilis

Por gerar feridas indolores e que somem posteriormente, a sífilis é ignorada e a bactéria pode ficar no corpo se não houver diagnóstico

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

quantic69/Gettyimages
Ilustração colorida mostra representação da bactéria causadora da sífilis, que tem formato de mola - Metrópoles
1 de 1 Ilustração colorida mostra representação da bactéria causadora da sífilis, que tem formato de mola - Metrópoles - Foto: quantic69/Gettyimages

Por ser transmitida principalmente através da relação sexual sem preservativo, a sífilis é classificada como uma infecção sexualmente transmissível (IST). Causada pela bactéria Treponema pallidum, a doença também pode ser congênita – ou seja, passada de mãe para o feto.

De acordo com os dados do boletim epidemiológico mais recente, divulgado em outubro do ano passado pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou 810 mil casos de sífilis em gestantes entre 2005 e junho de 2025. Também foi registrado um aumento da transmissão vertical em 2024, quando a doença vai de mãe para o bebê.

Os dados expõem uma realidade no país: o aumento da proliferação da infecção. Em entrevista ao Metrópoles, o infectologista Fernando Silveira aponta que formalmente o Brasil já trata a sífilis como uma epidemia em curso.

“Em saúde pública, ‘epidemia’ não significa apenas explosão repentina, mas um número de casos acima do esperado e mantido ao longo do tempo. A sífilis no Brasil é um problema epidêmico persistente, com casos acima do esperado por um período prolongado”, diz o especialista da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).

O não uso de preservativo durante as relações e falta de tratamento entre todos os parceiros ou parceiras envolvidas facilitam a transmissão e, consequentemente, o risco epidêmico. Além disso, há um atraso no diagnóstico devido a um aspecto peculiar.

“A sífilis frequentemente passa despercebida porque suas lesões primárias são indolores e a doença pode permanecer assintomática por longos períodos (fase latente), o que faz com o que o paciente não saiba que tem a doença”, explica o dermatologista Ademar Schultz, professor do Centro Universitário de Brasília (Ceub).


Sintomas da sífilis

  • Feridas indolores na região onde houve o contato sexual, especialmente nas genitais, reto ou cavidade oral.
  • Manchas no corpo, principalmente nas palmas da mão ou solas do pés.
  • Febre.
  • Mal-estar.
  • Ínguas.

Caso não seja tratada adequadamente, a infecção pode evoluir para quadros mais graves, podendo causar danos consideráveis no sistema nervoso, coração, olhos e até levar à morte. Em gestantes, a sífilis pode provocar sífilis congênita, aborto e morte do feto.

A qualquer sintoma semelhante, especialmente para quem tem vida sexual ativa, é essencial buscar ajuda médica. Na fase latente da infecção, ela só é detectada através de exames.

Veja as ISTs mais comuns e seus sintomas

Epidemia em curso: infectologista alerta para alta de casos de sífilis - destaque galeria
8 imagens
<b>Herpes genital -</b> Altamente contagiosa, a herpes genital é causada pelo vírus Herpes simplex (HSV). As pessoas infectadas podem desenvolver pequenas bolinhas vermelhas muito próximas umas das outras na pele das coxas, anus e órgãos genitais. Essas bolinhas contêm um líquido altamente viral de cor amarelada que causa coceira. Além disso, a doença pode se manifestar com febre, dor ao urinar e, no caso de mulheres, corrimento
<b>Aids -</b>é causada pelo vírus HIV e faz com que o sistema imunológico perca a capacidade de defender o organismo. Ainda não tem tratamento conhecido que seja eficaz.
<b>Gonorreia e infecção por Clamídia -</b> Na maioria das vezes, as duas doenças estão associadas. A infecção atinge os órgãos genitais, a garganta e os olhos. Quando não é tratada, a gonorreia pode levar à infertilidade. Os principais sintomas em mulheres são dor ao urinar ou no pé da barriga (baixo ventre), corrimento amarelado ou claro fora do período de menstruação, dor ou sangramento durante a relação sexual. Os homens costumam sentir ardor e esquentamento ao urinar, corrimento ou pus e dor nos testículos
<b>HPV -</b> A infecção por papilomavírus humano (HPV) é uma das mais incidentes e pode ser prevenida com vacina. Ela leva ao aparecimento de lesões na pele dos órgãos genitais de homens e mulheres. A textura dessas alterações pode ser suave ou rugosa, com coloração que varia de acordo com o tom de pele. Elas não causam dor, mas são contagiosas
<b>Sífilis -</b> A sífilis é uma infecção bacteriana geralmente transmitida pelo contato sexual ou pelo contato com sangue infectado. Os primeiros sintomas surgem no intervalo de três a 12 semanas após o contágio, provocando feridas e manchas vermelhas nas mãos e pés que não sangram e nem causam dor. A sífilis pode provocar cegueira, paralisia e problemas cardíacos
Epidemia em curso: infectologista alerta para alta de casos de sífilis - imagem 1
1 de 8

<b>Herpes genital -</b> Altamente contagiosa, a herpes genital é causada pelo vírus Herpes simplex (HSV). As pessoas infectadas podem desenvolver pequenas bolinhas vermelhas muito próximas umas das outras na pele das coxas, anus e órgãos genitais. Essas bolinhas contêm um líquido altamente viral de cor amarelada que causa coceira. Além disso, a doença pode se manifestar com febre, dor ao urinar e, no caso de mulheres, corrimento
2 de 8

Herpes genital - Altamente contagiosa, a herpes genital é causada pelo vírus Herpes simplex (HSV). As pessoas infectadas podem desenvolver pequenas bolinhas vermelhas muito próximas umas das outras na pele das coxas, anus e órgãos genitais. Essas bolinhas contêm um líquido altamente viral de cor amarelada que causa coceira. Além disso, a doença pode se manifestar com febre, dor ao urinar e, no caso de mulheres, corrimento

Getty Images
<b>Aids -</b>é causada pelo vírus HIV e faz com que o sistema imunológico perca a capacidade de defender o organismo. Ainda não tem tratamento conhecido que seja eficaz.
3 de 8

Aids -é causada pelo vírus HIV e faz com que o sistema imunológico perca a capacidade de defender o organismo. Ainda não tem tratamento conhecido que seja eficaz.

Divulgação
<b>Gonorreia e infecção por Clamídia -</b> Na maioria das vezes, as duas doenças estão associadas. A infecção atinge os órgãos genitais, a garganta e os olhos. Quando não é tratada, a gonorreia pode levar à infertilidade. Os principais sintomas em mulheres são dor ao urinar ou no pé da barriga (baixo ventre), corrimento amarelado ou claro fora do período de menstruação, dor ou sangramento durante a relação sexual. Os homens costumam sentir ardor e esquentamento ao urinar, corrimento ou pus e dor nos testículos
4 de 8

Gonorreia e infecção por Clamídia - Na maioria das vezes, as duas doenças estão associadas. A infecção atinge os órgãos genitais, a garganta e os olhos. Quando não é tratada, a gonorreia pode levar à infertilidade. Os principais sintomas em mulheres são dor ao urinar ou no pé da barriga (baixo ventre), corrimento amarelado ou claro fora do período de menstruação, dor ou sangramento durante a relação sexual. Os homens costumam sentir ardor e esquentamento ao urinar, corrimento ou pus e dor nos testículos

Getty Images
<b>HPV -</b> A infecção por papilomavírus humano (HPV) é uma das mais incidentes e pode ser prevenida com vacina. Ela leva ao aparecimento de lesões na pele dos órgãos genitais de homens e mulheres. A textura dessas alterações pode ser suave ou rugosa, com coloração que varia de acordo com o tom de pele. Elas não causam dor, mas são contagiosas
5 de 8

HPV - A infecção por papilomavírus humano (HPV) é uma das mais incidentes e pode ser prevenida com vacina. Ela leva ao aparecimento de lesões na pele dos órgãos genitais de homens e mulheres. A textura dessas alterações pode ser suave ou rugosa, com coloração que varia de acordo com o tom de pele. Elas não causam dor, mas são contagiosas

Getty Images
<b>Sífilis -</b> A sífilis é uma infecção bacteriana geralmente transmitida pelo contato sexual ou pelo contato com sangue infectado. Os primeiros sintomas surgem no intervalo de três a 12 semanas após o contágio, provocando feridas e manchas vermelhas nas mãos e pés que não sangram e nem causam dor. A sífilis pode provocar cegueira, paralisia e problemas cardíacos
6 de 8

Sífilis - A sífilis é uma infecção bacteriana geralmente transmitida pelo contato sexual ou pelo contato com sangue infectado. Os primeiros sintomas surgem no intervalo de três a 12 semanas após o contágio, provocando feridas e manchas vermelhas nas mãos e pés que não sangram e nem causam dor. A sífilis pode provocar cegueira, paralisia e problemas cardíacos

Getty Images
<b>Infecção pelo HTLV -</b> Pouco conhecido, o HTLV é um retrovírus da mesma família do HIV, possuindo em comum as mesmas formas de transmissão. A maioria das pessoas não apresenta sinais e sintomas durante toda a vida. Dos infectados pelo HTLV, 10% apresentarão alguma doença associada, como doenças neurológicas, oftalmológicas, dermatológicas, urológicas e hematológicas
7 de 8

Infecção pelo HTLV - Pouco conhecido, o HTLV é um retrovírus da mesma família do HIV, possuindo em comum as mesmas formas de transmissão. A maioria das pessoas não apresenta sinais e sintomas durante toda a vida. Dos infectados pelo HTLV, 10% apresentarão alguma doença associada, como doenças neurológicas, oftalmológicas, dermatológicas, urológicas e hematológicas

Getty Images
<b>Tricomoníase -</b>
A tricomoníase é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns, provocada por um parasita. Os principais sintomas são: dor durante a relação sexual, ardência e dificuldade para urinar, coceira nos órgãos sexuais, corrimento abundante, amarelado ou amarelo esverdeado, bolhoso
8 de 8

Tricomoníase - A tricomoníase é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns, provocada por um parasita. Os principais sintomas são: dor durante a relação sexual, ardência e dificuldade para urinar, coceira nos órgãos sexuais, corrimento abundante, amarelado ou amarelo esverdeado, bolhoso

Getty Images

Como conter o avanço da sífilis

Para o infectologista, a contenção da sífilis passa por três passos essenciais: mais testagem; tratamento imediato; e interrupção da cadeia de transmissão. “Isso significa ampliar o acesso a testes diagnósticos, iniciar tratamento sem demora quando indicado, garantir terapias adequadas nas unidades de saúde e tratar também os parceiros sexuais”, diz Silveira.

Já para evitar a IST antes da contaminação, as dicas são simples, mas eficazes:

  • Utilizar preservativo em todas as relações, seja vaginal, anal e oral;
  • Buscar ajuda caso perceba sintomas ou tenha se colocado em situação de risco;
  • Realizar o exame rotineiramente, caso tenha vida sexual ativa;
  • Caso seja infectado, avisar às parceiras e/ou parceiros que houve envolvimento sexual.
“Houve um aumento expressivo dos casos, particularmente entre homens que fazem sexo com homens, após a implementação da profilaxia pré exposição (PrEP) para HIV. Determinantes sociais de saúde, incluindo disparidade de renda, baixa escolaridade e escasso acesso aos serviços de saúde contribuem para taxas mais altas em determinados grupos”, afirma Schultz.

Recentemente, em março, o Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) a doxiciclina, um antibiotico para ser usado após relações sexuais sem proteção e diminuir o risco de infecção por sífilis e clamídia.

O medicamento tem como prioridade homens cisgênero gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens, além de mulheres transgênero, considerado os grupos mais vulneráveis a sífilis.

“Temos diagnóstico simples, teste rápido gratuito no SUS e tratamento eficaz. O desafio não é falta de ferramenta e sim fazer essas elas chegarem cedo a quem precisa”, ressalta o infectologista.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSaúde

Você quer ficar por dentro das notícias de saúde mais importantes e receber notificações em tempo real?