Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Saúde

Baby blues e TOC são os principais transtornos em mães no pós-parto

Transtornos mentais não tratados no pós-parto podem oferecer riscos à mãe e ao desenvolvimento e segurança do bebê

11/09/2026 02:00
Magnific
Mãe lidando com a maternidade e um pós parto difícil

A chegada de um filho costuma ser descrita como um dos momentos mais felizes da vida de uma mulher. Para algumas, porém, pode significar um período complicado e de confusão mental.

O pós-parto é um período de alterações biológicas, psicológicas e sociais na vida de uma mulher, podendo torná-la mais vulnerável e suscetível a desenvolver transtornos psicológicos. Entre os mais comuns no puerpério estão a tristeza materna (baby blues), o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), os transtornos de ansiedade e a depressão pós-parto.

A psicóloga Alessandra Araujo, que atende em Brasília, reforça que essas doenças mais comuns podem variar em intensidade e manifestação clínica, sendo o baby blues — uma variação de humor branda e passageira — a mais leve e frequente, e a psicose pós-parto — uma emergência psiquiátrica caracterizada pela perda de contato com a realidade, delírios e alucinações —, a mais grave.

Segundo a psicóloga, o desenvolvimento desses transtornos não tem uma causa específica, mas pode ser resultado de uma complexa teia multifatorial.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência

“Na gestação há uma brusca e massiva queda dos níveis de estrogênio e progesterona, o que afeta diretamente os neurotransmissores cerebrais. Isso se soma a fatores biológicos, ao histórico de vulnerabilidade emocional ou transtornos mentais prévios, além de fortes estressores psicossociais, como a exaustão extrema pela privação crônica de sono, a falta de uma rede de apoio sólida e o peso das expectativas idealizadas sobre a maternidade”, explica.

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde

Frequência de envio: Semanal

Ver todas as newsletters

Transtornos pós-parto

  • Baby blues: tristeza, choro fácil e oscilações de humor leves e passageiras, que aparecem nos primeiros dias após o parto e desaparecem sozinhas em até duas semanas.
  • Depressão pós-parto: tristeza profunda, desânimo, falta de energia e desconexão emocional com o bebê, que persistem por semanas ou meses e exigem acompanhamento profissional.
  • Transtorno de estresse pós-traumático: revivência traumática do parto (flashbacks, pesadelos, hipervigilância), geralmente ligada a experiências de parto difíceis, dolorosas ou percebidas como ameaçadoras.
  • Transtorno de ansiedade: preocupação excessiva e constante com a saúde e segurança do bebê, acompanhada de sintomas físicos como taquicardia, tensão muscular e insônia.
  • Transtorno obsessivo compulsivo: pensamentos intrusivos e perturbadores (geralmente sobre causar mal ao bebê) associados a comportamentos repetitivos para tentar neutralizar essa ansiedade, como checagens constantes.

A psicóloga Débora Gonçalves, que atua com a Terapia Cognitivo-Comportamental, reforça que, embora não exista um fator específico que faça as mães desenvolverem a depressão pós-parto, alguns fatores podem influenciar mais do que outros.

“Além das questões hormonais e de adaptação à nova fase, existe uma ponto muito importante relacionado ao papel da mulher. É muito difícil separar completamente a identidade de mulher da identidade de mãe, principalmente porque, culturalmente, ainda existe uma expectativa de que a mãe seja a principal responsável pelos cuidados com o bebê. Mesmo quando existe uma rede de apoio”, relata.

Débora complementa que esses aspectos sociais podem trazer uma sobrecarga emocional à mãe. Além disso, surgem inseguranças e medos em relação ao bebê, dúvidas sobre estar fazendo tudo certo, cobranças em relação à maternidade, mudanças no relacionamento, dificuldades financeiras e, em alguns casos, o retorno ao trabalho.

“Há uma expectativa de que a mulher deveria estar feliz com a chegada do bebê, o que pode fazer com que ela tenha dificuldade de falar sobre o quanto está cansada, angustiada ou sobrecarregada”, reforça.

Prevenção de transtornos pós-parto

Débora diz que, apesar de não ser possível garantir a prevenção total dos transtornos mentais no pós-parto, a redução dos fatores de risco e a identificação precoce do sofrimento são fundamentais.

“A atenção à saúde mental da mulher deve começar ainda na gestação, sobretudo em casos de histórico de depressão, ansiedade ou outras vulnerabilidades, e prosseguir após o nascimento com o acompanhamento de sua adaptação à rotina”, pontua.

Alessandra diz que a prevenção de doenças pós-parto passa pelo acolhimento pré-natal, fortalecimento da rede de apoio e acompanhamento de gestantes de risco.

“Quando a prevenção não é suficiente e o quadro se instala, o tratamento deve ser multidisciplinar, combinando psicoterapia especializada com foco na elaboração dessa nova identidade e nos conflitos da maternidade e, quando avaliado por um psiquiatra, é indicado o uso seguro de medicação psicofarmacológica, garantindo a estabilização da mãe”, destaca.

Além disso, ter uma rede de apoio para dividir as tarefas diárias com o bebê e a casa é uma medida que auxilia a mulher a descansar e reservar momentos de autocuidado.