Enfermeira denuncia histerectomia irregular em imigrantes detidas nos EUA

Segundo a profissional, as mulheres tinham os úteros completa ou parcialmente retirados sem entender a razão da cirurgia

atualizado 16/09/2020 15:23

cicatriz de histerectomiaBoris Zhitkov/GettyImages

De acordo com a enfermeira americana Dawn Wooten, histerectomias (retirada completa ou parcial do útero) estão sendo realizadas em imigrantes detidas na Geórgia, Estados Unidos. A mulher fez a denúncia às organizações de direitos civis Project South e Government Accontability Project.

Em entrevista à agência Reuters, ela conta que as mulheres com fortes dores menstruais ou que pediam medicamentos para controle de natalidade eram encaminhadas para um ginecologista fora da unidade, que, então, fazia a cirurgia. Muitas das pacientes não eram informadas sobre o procedimento e não entendiam o que estava acontecendo.

Uma das mulheres que teve o útero retirado sem explicação diz ter se sentido como em um experimento em um campo de concentração. “Era como se estivessem fazendo experiências com nossos corpos”, afirma, em entrevista ao Project South.

A denúncia será investigada pelo Departamento de Segurança Nacional dos EUA. A presidente da Câmara do país, Nancy Pelosi, reforçou o pedido de investigação e classificou a situação como um “abuso avassalador dos direitos humanos”.

A congressista disse ainda que a histerectomia em massa denunciada remete a tempos “sombrios”, como na exploração de Henrietta Lacks (mulher negra que teve células usadas para pesquisa do câncer de forma involuntária e sem reconhecimento) e as experiências de Tuskegee (que fez cerca de 400 negros com sífilis passarem pela doença sem tratamento para analisar a progressão da infecção, sem saber o diagnóstico e sem autorização para participar da pesquisa).

“O Congresso e os americanos precisam saber por que e em que circunstâncias tantas mulheres, supostamente sem consentimento, foram empurradas para esse procedimento extremamente invasivo”, questiona Palosi.

A Agência de Imigração e Alfândega (ICE) e a LaSalle Corrections, responsável pela prisão, negam as acusações. A agência afirma que histerectomias nunca teriam sido feitas contra a vontade da detenta. A diretora do Corpo de Serviços Médicos da ICE, Ada Rivera, diz que apenas dois procedimentos foram feitos desde 2018, e o processo foi aprovado.

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