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Saúde

Embotamento: ciência explica efeito colateral do uso de antidepressivo

O embotamento é um sentimento comum entre pessoas que usam antidepressivos. Cientistas acreditam ter descoberto por que

23/01/2023 19:32, atualizado 25/01/2023 13:04
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Getty Images
imagem colorida de mulher sentada na janela com depressão - Metrópoles

O “embotamento”, sensação na qual a pessoa se sente apática às emoções e sem energia para a execução de tarefas diárias, é relatado por cerca de metade das pessoas que fazem uso de antidepressivos comuns.

Após um estudo inovador, cientistas da Universidade de Cambridge acreditam ter descoberto por que isso ocorre. O trabalho foi publicado na revista Neuropsychopharmacology, nesta segunda-feira (23/1).

Os medicamentos mais populares da classe dos antidepressivos são os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs), como o escitalopram. A droga mira a serotonina, substância química que transmite mensagens entre as células nervosas.

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Relatos de falta de prazer

A pesquisa contou com 66 voluntários. Durante 21 dias, 32 deles receberam o escitalopram e os outros 34 tomaram um medicamento placebo.

Os participantes também preencheram questionários e fizeram testes para avaliar funções cognitivas, como a capacidade de aprendizado, a inibição, a execução de tarefas e a tomada de decisões.

A equipe não encontrou diferenças significativas entre os dois grupos em temas relacionados à atenção e à memória. Mas houve um predomínio de relatos de entorpecimento e de falta de prazer entre o grupo que usou o medicamento.

Estímulo e resposta

Em uma segunda etapa do trabalho, os pesquisadores usaram um ‘teste de reversão probabilística’ para avaliar o aprendizado de reforço.

Nesta tarefa, os participantes receberam dois estímulos, indicados pelas letras A e B. Se eles escolhessem A quatro de cinco vezes, tinham direito a uma recompensa. Caso escolhessem B, recebiam a recompensa apenas uma vez em cinco.

Os voluntários deveriam aprender a regra sozinhos e, em algum momento do teste, ela foi trocada e eles deveriam entendê-la sozinhos novamente.

A equipe descobriu que os participantes que tomaram escitalopram eram menos propensos a orientar o aprendizado da tarefa pelo estímulo positivo, sugerindo que eles tinham menor sensibilidade para as recompensas (feedback positivo).

“O embotamento emocional é um efeito colateral comum dos antidepressivos ISRS. De certa forma, isso pode ser em parte como eles funcionam — eles tiram um pouco da dor emocional que as pessoas que sofrem de depressão sentem, mas, infelizmente, parece que eles também tiram um pouco do prazer. A partir de nosso estudo, agora podemos ver que isso ocorre porque eles se tornam menos sensíveis às recompensas, que fornecem um feedback importante”, comentou a professora Barbara Sahakian, do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Cambridge, que é a principal autora do trabalho.

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