Cantar em coral pode atrasar queda de funções cognitivas, diz pesquisa

Cientistas europeus estudam os impactos da música em idosos com afasia, condição que afeta as habilidades de comunicação dos pacientes

atualizado 17/06/2022 21:20

foto de um coral de idosos, com uma pessoa conduzindo GettyImags

Cientistas de Helsinque, na Finlândia, estudam como o hábito de cantar pode contribuir com a reabilitação de pessoas com afasia, como o ator Bruce Willis, e na prevenção de doenças que levam à queda das funções cognitivas. A afasia é uma condição que afeta as habilidades de comunicação dos pacientes após uma série de lesões cerebrais, como o derrame, por exemplo.

Apesar das dificuldades, a terapia de entonação melódica tem apresentado bons resultados para esses pacientes. Cantando as palavras ao invés de dizê-las, parte dos indivíduos consegue se comunicar melhor.

O professor Teppo Särkämö, coordenador do projeto Premus, criou um coral de idosos voltado para o tratamento de pacientes com afasia e familiares que se dedicam aos seus cuidados para o estudo. O grupo de pesquisa também realizou uma série de ressonâncias magnéticas funcionais (fMRI) dos cérebros dos participantes e de pessoas jovens, de meia-idade e idosos que cantam em corais, para comparar os dados.

Os resultados mostraram que as redes cerebrais envolvidas no canto sofrem menos alterações do que as responsáveis ​​pela fala com o passar dos anos.

Em entrevista ao jornal El País, Särkämö explicou que, quando uma pessoa canta, os sistemas frontal e parietal do cérebro são ativados e mais recursos motores e cognitivos associados ao controle verbal e funções executivas são utilizados. Esses dois sistemas são responsáveis por regular o comportamento.

Além disso, os membros do coral conseguiram alcançar melhores resultados em testes neuropsicológicos, relataram menos dificuldades cognitivas e demonstraram maior integração social. Testes com eletroencefalogramas indicaram que eles possuíam ainda melhor capacidade de processamento auditivo, que lhes permite combinar informações sobre tom nas regiões frontotemporais do cérebro.

O estudo mostrou ainda que a interação social associada ao canto em coral também pode atrasar o início da demência.

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“Em última análise, o objetivo do nosso trabalho com pessoas com afasia é usar o canto como uma ferramenta para exercitar a produção da fala e eventualmente comunicar-se sem a necessidade de cantar. No entanto, nos corais estamos vendo o efeito que essa intervenção tem no dia a dia das pessoas como uma ferramenta essencial de comunicação”, diz o pesquisador.

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