Em maio, Covid-19 pode se tornar a maior causa de morte no Brasil

Projeção leva em conta as maiores causas de morte no Brasil em 2018 e a evolução do número de contaminados

Funerária prepara corpo para ser enterrado em ceminterioHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 09/04/2020 1:11

Apesar de o Brasil registrar 800 mortes pelo coronavírus, a situação ainda está bem distante se ser a maior causa de óbitos no país. O primeiro lugar ainda fica com o infarto agudo do miocárdio, responsável por 92,9 mil falecimentos em 2018.

Esse número, entretanto, pode ser superado em maio, caso a Covid-19 continue crescendo exponencialmente e as medidas adotadas para conter o avanço da doença não sejam suficientes – ou não sejam respeitadas por parte da população.

A taxa de mortalidade calculada para o coronavírus ainda varia. Na China, onde a pandemia começou, ela foi de 3,5%. Caso essa taxa fosse replicada no Brasil, seriam necessários, pelo menos, 2,654 milhões de pessoas contaminadas para que a doença se tornasse a maior causa de óbitos no país.

“O número pode parecer grande diante os quase 16 mil contaminados atualmente. Mas sem medidas restritivas é impossível prever a quantidade de pessoas que serão infectadas”, alertou o consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Leonardo Weissmann. Caso o ritmo atual de alastramento da doença seja mantido, 2,6 milhões de brasileiros estarão com Covid-19 até 26 de abril.

De acordo com ele, a menor taxa de mortalidade foi verificada na Coreia do Sul, de 0,8%. “Desde o começo, quando começaram a detectar o vírus na população, testaram o maior número de pessoas e trabalharam bastante a questão do isolamento. Por esse motivo conseguiram achatar a curva de menor óbitos e estão conseguindo responder melhor à epidemia”, prosseguiu.

Se o Brasil tiver uma taxa semelhante à do país asiático, serão necessários 11,6 milhões de infectados para que o coronavírus se torne a maior causa de morte no país. Esse valor pode ser superado em 2 de maio,  caso a atual taxa de aumento nos diagnósticos seja mantida.

O médico Alexandre Cunha, infectologista dos hospitais Sírio Libanês em Brasília, pondera que as taxas de letalidade estão muito provavelmente superestimadas. “A mortalidade é com certeza bem menor do que 3%. Nos cálculos estatísticos usa-se somente as pessoas sintomáticas e deixa de incluir as assintomáticas. Além disso, quem busca assistência médica e faz o teste são pacientes em estado mais grave, logo tem mais óbitos nesses casos”, explicou.

Assim, continuou ele, a Covid-19 nunca será a maior forma de morte no país. “Mas se a quantidade de infectados chegar à casa das dezenas de milhões é possível, a médio e longo prazo, devido à alta transmissibilidade do vírus”, prosseguiu.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) frisou a importância de realizar a testagem maciça de pessoas para avaliar se elas estão infectadas pela doença, na segunda-feira, 16 de março. “Temos uma simples mensagem para todos os países: teste, teste, teste. Testem todo caso suspeito. Se for positivo, isole e descubra de quem ele esteve próximo”, pediu o diretor-geral do organismo internacional, Tedros Adhanom Gebreyesus.

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