Pequenas doses de álcool podem alterar funções cerebrais, diz estudo

Pesquisa indica associação entre histórico de ingestão alcoólica ao longo da vida e mudanças em estruturas do cérebro

atualizado

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Foto colorida de homem com um copo transparente com líquído marrom, que parece álcool - Metrópoles.
1 de 1 Foto colorida de homem com um copo transparente com líquído marrom, que parece álcool - Metrópoles. - Foto: Freepik

O consumo de álcool ao longo da vida pode estar relacionado a alterações em estruturas cerebrais importantes, segundo um estudo científico publicado em 2 de abril na revista Alcohol.

A pesquisa avaliou adultos saudáveis e encontrou associação entre o total de bebidas consumidas durante a vida e mudanças em medidas cerebrais ligadas ao envelhecimento.

Os autores investigaram como a idade e a quantidade acumulada de álcool ingerida interagem sobre o cérebro. Para isso, analisaram exames de imagens de participantes sem doenças neurológicas conhecidas. Os resultados sugerem que mesmo pessoas sem dependência alcoólica podem apresentar diferenças cerebrais relacionadas ao histórico de consumo.

O estudo observou dois indicadores importantes. A perfusão cerebral, que representa o fluxo de sangue no cérebro, e a espessura cortical, medida ligada à integridade de áreas cerebrais externas responsáveis por funções complexas.

Segundo os pesquisadores, participantes com maior consumo total de álcool ao longo da vida apresentam associação com alterações nessas medidas. A relação se mostrou mais evidente quando combinada ao envelhecimento. Em outras palavras, a pesquisa sugere que idade e exposição acumulada ao álcool podem atuar juntas contra o cérebro.

O que significa a perfusão cerebral

A perfusão cerebral é o abastecimento de sangue que leva oxigênio e nutrientes às células nervosas. Quando há mudanças nesse processo, determinadas regiões podem funcionar de forma menos eficiente. Já a redução da espessura cortical, segundo os autores, vem sendo estudada como um possível marcador de envelhecimento cerebral e de perda estrutural em algumas áreas.

O trabalho não afirma que todo consumo alcoólico levará necessariamente a danos clínicos, mas reforça que o histórico de ingestão pode ter impacto mensurável no órgão. Por se tratar de uma pesquisa observacional, os resultados mostram associação entre fatores, e não uma relação direta de causa e consequência.

Isso significa que o trabalho identifica uma conexão estatística entre consumo acumulado de álcool e mudanças cerebrais, mas não comprova que a bebida foi a única responsável pelos achados.

Há outros fatores que também podem influenciar a saúde cerebral, como alimentação, atividade física, sono, genética e doenças cardiovasculares. Mas, os cientistas reforçam que padrões de ingestão de álcool considerados leves ou moderados também merecem atenção e precisam ser analisados ao longo dos anos.

O estudo valida que é importante avaliar o consumo alcoólico de forma acumulada, e não apenas episódios isolados. Quanto maior a exposição ao longo da vida, maior tende a ser a preocupação com possíveis impactos no cérebro, sobretudo durante o envelhecimento.

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