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Saúde

"Vamos demorar anos para vacinar todos contra a dengue", diz diretor do Butantan.

Em entrevista ao Metrópoles, o infectologista Esper Kallás fala sobre as estratégias do Butantan para ampliar a vacinação contra a dengue

07/03/2026 02:00
Metrópoles
Foto do diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás de camisa branca - Metrópoles

A dengue exerce impacto na saúde pública no Brasil desde que foi introduzida no país, na década de 1980. Mas 2024 ficou marcado como o ano de recordes históricos: foram 6,6 milhões de casos e 6.183 mortes. Embora o lançamento de uma vacina nacional aumente a esperança de uma mudança no jogo, o infectologista e diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, acredita que o caminho ainda é longo e que as medidas de prevenção não podem ser deixadas de lado, mesmo pelos já vacinados.

https://youtu.be/s0a21UY2MFg

A Butantan-DV é a primeira vacina do mundo em dose única que protege contra os quatro sorotipos da dengue. O registro foi concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 8 de dezembro de 2025, para ser utilizada na população com 12 a 59 anos.

Desde então, já foram enviadas 1,3 milhão de doses ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em fevereiro, o Instituto Butantan anunciou a antecipação do envio de outras 1,3 milhão de doses ainda no primeiro semestre deste ano, totalizando 2,6 milhões de vacinas.

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Segundo Kallás, essas doses serão entregues até abril. “A gente percebeu que há uma necessidade de doses em maior quantidade no Brasil desde que começamos a montar o nosso programa”, afirma em entrevista ao Metrópoles.

Ainda assim, a imunização deve se restringir aos grupos de maior risco à doença em 2026. O Ministério da Saúde começou a vacinar profissionais de saúde da atenção primária que atuam no SUS em fevereiro. A expectativa da pasta é vacinar 1,2 milhão de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários.

Depois deles, o plano é começar a vacinar as faixas etárias mais velhas (com no máximo 59 anos) e expandir para as mais jovens gradativamente, à medida que mais doses são entregues pelo Butantan.

“A prioridade que o Ministério da Saúde vem apontando é imunizar as pessoas com mais idade. O motivo dessa decisão é o fato delas terem chances maiores de desenvolver doença mais grave”, destaca.

Kallás lembra que, pelos critérios da Anvisa — que indica a vacina apenas a pessoas de 12 a 59 anos —, seriam necessárias cerca de 120 milhões de doses para imunizar toda a população nessa faixa etária. Mas o planejamento para uma produção desse tamanho é complexo.

A planta da fábrica deve levar em consideração a complexidade da vacina e a demanda. Por ser um imunizante de dose única, depois que a população for vacinada, não há a necessidade de continuar com a fabricação em larga escala e é preciso encontrar uma nova utilidade para a fábrica.

“Como a gente não tem essa disponibilidade de pronta entrega, vamos demorar alguns anos para conseguir atingir esse número. Começa-se sempre por aqueles que são mais suscetíveis à doença mais grave”, explica.

“Vamos demorar anos para vacinar todos contra a dengue”, diz diretor do Butantan - destaque galeria
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O Aedes aegypti apresenta hábitos diurnos, pode ser encontrado em áreas urbanas e necessita de água parada para permitir que as larvas se desenvolvam e se tornem adultas, após a eclosão dos ovos, dentro de 10 dias
A infecção dos humanos acontece apenas com a picada do mosquito fêmea. O Aedes aegypti transmite o vírus pela saliva ao se alimentar do sangue, necessário para que os ovos sejam produzidos
No geral, a dengue apresenta quatro sorotipos. Isso significa que uma única pessoa pode ser infectada por cada um desses 
micro-organismos e gerar imunidade permanente para cada um deles – ou seja, é possível ser infectado até quatro vezes
Os primeiros sinais, geralmente, não são específicos. Eles surgem cerca de três dias após a picada do mosquito e podem incluir: febre alta, que geralmente dura de 2 a 7 dias, dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupções cutâneas, náuseas e vômitos
No período de diminuição ou desaparecimento da febre, a maioria dos casos evolui para a recuperação e cura da doença. No entanto, alguns pacientes podem apresentar sintomas mais graves, que incluem hemorragia e podem levar à morte
A dengue é uma doença infecciosa transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Com maior incidência no verão, tem como principais sintomas: dores no corpo e febre alta. Considerada um grave problema de saúde pública no Brasil, a doença pode levar o paciente à morte
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A dengue é uma doença infecciosa transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Com maior incidência no verão, tem como principais sintomas: dores no corpo e febre alta. Considerada um grave problema de saúde pública no Brasil, a doença pode levar o paciente à morte

Joao Paulo Burini/Getty Images
O Aedes aegypti apresenta hábitos diurnos, pode ser encontrado em áreas urbanas e necessita de água parada para permitir que as larvas se desenvolvam e se tornem adultas, após a eclosão dos ovos, dentro de 10 dias
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O Aedes aegypti apresenta hábitos diurnos, pode ser encontrado em áreas urbanas e necessita de água parada para permitir que as larvas se desenvolvam e se tornem adultas, após a eclosão dos ovos, dentro de 10 dias

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A infecção dos humanos acontece apenas com a picada do mosquito fêmea. O Aedes aegypti transmite o vírus pela saliva ao se alimentar do sangue, necessário para que os ovos sejam produzidos
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A infecção dos humanos acontece apenas com a picada do mosquito fêmea. O Aedes aegypti transmite o vírus pela saliva ao se alimentar do sangue, necessário para que os ovos sejam produzidos

Joao Paulo Burini/ Getty Images
No geral, a dengue apresenta quatro sorotipos. Isso significa que uma única pessoa pode ser infectada por cada um desses 
micro-organismos e gerar imunidade permanente para cada um deles – ou seja, é possível ser infectado até quatro vezes
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No geral, a dengue apresenta quatro sorotipos. Isso significa que uma única pessoa pode ser infectada por cada um desses micro-organismos e gerar imunidade permanente para cada um deles – ou seja, é possível ser infectado até quatro vezes

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Os primeiros sinais, geralmente, não são específicos. Eles surgem cerca de três dias após a picada do mosquito e podem incluir: febre alta, que geralmente dura de 2 a 7 dias, dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupções cutâneas, náuseas e vômitos
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Os primeiros sinais, geralmente, não são específicos. Eles surgem cerca de três dias após a picada do mosquito e podem incluir: febre alta, que geralmente dura de 2 a 7 dias, dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupções cutâneas, náuseas e vômitos

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No período de diminuição ou desaparecimento da febre, a maioria dos casos evolui para a recuperação e cura da doença. No entanto, alguns pacientes podem apresentar sintomas mais graves, que incluem hemorragia e podem levar à morte
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No período de diminuição ou desaparecimento da febre, a maioria dos casos evolui para a recuperação e cura da doença. No entanto, alguns pacientes podem apresentar sintomas mais graves, que incluem hemorragia e podem levar à morte

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Nos quadros graves, os sintomas são: vômitos persistentes, dor abdominal intensa e contínua, ou dor quando o abdômen é tocado, perda de sensibilidade e movimentos, urina com sangue, sangramento de mucosas, tontura e queda de pressão, aumento do fígado e dos glóbulos vermelhos ou hemácias no sangue
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Nos quadros graves, os sintomas são: vômitos persistentes, dor abdominal intensa e contínua, ou dor quando o abdômen é tocado, perda de sensibilidade e movimentos, urina com sangue, sangramento de mucosas, tontura e queda de pressão, aumento do fígado e dos glóbulos vermelhos ou hemácias no sangue

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Nestes casos, os sintomas resultam em choque, que acontece quando um volume crítico de plasma sanguíneo é perdido. Os sinais desse estado são pele pegajosa, pulso rápido e fraco, agitação e diminuição da pressão
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Nestes casos, os sintomas resultam em choque, que acontece quando um volume crítico de plasma sanguíneo é perdido. Os sinais desse estado são pele pegajosa, pulso rápido e fraco, agitação e diminuição da pressão

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Alguns pacientes podem ainda apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade. O choque tem duração curta, e pode levar ao óbito entre 12 e 24 horas, ou à recuperação rápida, após terapia antichoque apropriada
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Alguns pacientes podem ainda apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade. O choque tem duração curta, e pode levar ao óbito entre 12 e 24 horas, ou à recuperação rápida, após terapia antichoque apropriada

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Apesar da gravidade, a dengue pode ser tratada com analgésicos e antitérmicos, sob orientação médica, tais como paracetamol ou dipirona, para aliviar os sintomas
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Apesar da gravidade, a dengue pode ser tratada com analgésicos e antitérmicos, sob orientação médica, tais como paracetamol ou dipirona, para aliviar os sintomas

Guido Mieth/ Getty Images
Para completar o tratamento, é recomendado repouso e ingestão de líquidos. Já no caso de dengue hemorrágica, a terapia deve ser feita no hospital, com o uso de medicamentos e, se necessário, transfusão de plaquetas
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Para completar o tratamento, é recomendado repouso e ingestão de líquidos. Já no caso de dengue hemorrágica, a terapia deve ser feita no hospital, com o uso de medicamentos e, se necessário, transfusão de plaquetas

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Proteção por cinco anos

Um estudo feito pelo Instituto Butantan e publicado nessa quinta-feira (5/3) na revista Nature, mostrou que a vacina contra a dengue permanece eficaz por pelo menos cinco anos após a aplicação.

Ao todo, mais de 16 mil voluntários com idades entre 2 e 59 anos participaram do estudo. Depois de cinco anos de acompanhamento, a eficácia geral contra a dengue sintomática confirmada por exame foi de 65%. A proteção para casos graves chegou a 80,5%.

No período de cinco anos — aqueles que apresentam sinais de alarme ou risco de complicações —, nenhuma pessoa vacinada desenvolveu quadro grave de dengue, nem precisou de hospitalização por causa da doença.

Cuidados após a vacinação

O infectologista reforça que, mesmo após tomar a vacina, a população precisa continuar a seguir as medidas de prevenção contra o mosquito Aedes aegypti, como eliminar os focos de água parada.

“O mesmo mosquito pode transmitir outras doenças — chikungunya e zika — e a gente sabe que todas as medidas de prevenção se beneficiam quando são tomadas juntas. Ter uma vacina que seja tão boa quanto a Butantan-DV e abandonar as outras medidas de prevenção [pode faze] o tiro pode sair pela culatra”, aponta.