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Saúde

Neurocientista ensina dicas práticas para evitar a distração na rotina

Manter o foco em uma rotina cheia de notificações e interrupções não é fácil, mas pequenas mudanças no dia a dia podem evitar distrações

06/08/2026 02:00
Unsplash
Imagem mostra mulher sentada em uma cama, cercada por livros abertos e um computador - Metrópoles

Vivemos na era das notificações. Estudos mostram que o ser humano médio desbloqueia o celular mais de 100 vezes por dia, e nem sempre por necessidade. Em uma época cheia de estímulos, hoje um dos maiores desafios é manter o foco — e a ciência tem dicas para ajudar a evitar distrações.

O doutor em neurologia e neurociências Leandro Oliveira explica que notificações, interrupções frequentes, ambientes barulhentos e estresse ambiental (como calor excessivo, por exemplo), impactam o processamento cognitivo e dificultam o foco.

“Além disso, privação de sono, fadiga mental acumulada e consumo excessivo de conteúdos em formato acelerado, frequentemente incentivados por recursos tecnológicos, prejudicam nossa capacidade de manter o foco sustentado”, aponta o professor da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Estudos recentes comprovam que a atenção não depende só do momento da ação. Fazer atividade física regularmente, ter uma alimentação equilibrada, dormir com qualidade e interagir socialmente ajudam a manter o órgão saudável.

Estimular o cérebro também faz diferença. “Quanto menos o exercitamos, menos criativos, críticos e autônomos somos. Cuidar do cérebro é um ato de autocuidado tal qual fazer atividade física e cuidar da alimentação”, afirma a especialista em neuroaprendizagem Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera.

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Dicas para manter o foco ao estudar ou trabalhar

  • Escolha um ambiente que o ajude a se concentrar. Vale usar fone de ouvido, virar a mesa para a parede ou escolher uma sala silenciosa.
  • Feche abas ou recursos que não são necessários para a atividade.
  • Estabeleça metas claras, o cérebro precisa de objetivos definidos para manter o foco.
  • Divida tarefas longas em várias fases e faça pequenos intervalos ao terminar cada uma.
  • Faça perguntas a si mesmo sobre o conteúdo que está lendo, pense em como organizar as informações em um resumo.
  • Acabe com o modo multitarefa e foque em concluir uma tarefa antes de começar a próxima.
  • Fique longe do celular: algumas pessoas colocam o aparelho em outro cômodo, ou dentro de uma gaveta. De toda forma, desligue as notificações.
  • Práticas como a meditação ajudam a manter a atenção e reduzir a suscetibilidade a distrações.
  • Durma bem. O sono de qualidade é essencial para o funcionamento do cérebro e restauração cognitiva.

O mito do multitasking

Patrícia lembra que um dos maiores mitos disseminados na sociedade contemporânea é a capacidade e benefícios do multitasking. Fazer várias coisas ao mesmo tempo, segundo ela, gera uma alternância de foco muito rápida, prejudicando a atenção.

“É algo que aumenta a chance de erros, diminui a profundidade do processamento da informação e é mais cansativo. Tentar escrever um e-mail importante enquanto participa de uma reunião por vídeo, por exemplo, é a receita para fazer as duas coisas mal”, avalia.

Oliveira conta que, do ponto de vista evolutivo, não fomos preparados para realizar várias tarefas ao mesmo tempo. O ser humano é capaz de focar, terminar a tarefa e passar para a próxima, mas fazer tudo ao mesmo tempo é ineficaz.

“Esse mecanismo aumenta o tempo de execução, eleva a fadiga mental e a probabilidade de erros, fatores que frequentemente contribuem para quadros de burnout no ambiente organizacional”, alerta.

Redes sociais e telas também atrapalham, já que usam mecanismos para promover prazer imediato. O indivíduo abre o celular e não consegue sair, evitando períodos de descanso essenciais para a manutenção da cognição.

O professor conta que a ciência comprova: o foco em uma tarefa de uma vez só e reduzir estímulos concorrentes que trazem distração são essenciais para manter a atenção.

“Em suma, o foco não depende apenas de força de vontade, mas da organização estratégica do ambiente para reduzir estímulos competitivos”, diz.