Diagnóstico precoce pode aumentar chances de cura no câncer colorretal

Diagnosticar precocemente o câncer colorretal pode elevar as chances de cura acima de 90% e ampliar acesso a tratamentos menos invasivos

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O diagnóstico precoce do câncer colorretal é um dos fatores que mais influenciam as chances de cura e as opções de tratamento disponíveis. Quando a doença é identificada nas fases iniciais, o tumor costuma estar restrito ao intestino, o que permite intervenções mais eficazes e menos agressivas.

Segundo a oncologista Alessandra Leite,  que atende no Hospital Santa Lúcia, detectar o tumor cedo muda completamente o prognóstico do paciente.

A taxa de cura em tumores colorretais iniciais é superior a 90%, mas cai bastante quando a doença está maior e mais localmente avançada”, explica a especialista.

Muitas vezes o câncer colorretal começa de forma silenciosa, o que reforça a importância dos exames de rastreamento mesmo em pessoas sem sintomas. Em fases iniciais, a doença é assintomática. Com o crescimento do tumor podem surgir mudanças de hábito intestinal, dor abdominal e cólica, sangramento nas fezes e até perda de peso.

Colonoscopia é a principal ferramenta de rastreio

O principal exame para detectar o câncer colorretal precocemente é a colonoscopia. Além de identificar tumores, o procedimento também permite remover pólipos, que são lesões precursoras da doença.

A colonoscopia é o exame padrão de rastreio e deve ser realizada a partir dos 45 anos para toda a população.

De acordo com Alessandra Leite, pessoas com histórico familiar da doença precisam iniciar o acompanhamento ainda mais cedo.

“Caso haja diagnóstico de câncer colorretal em pessoas jovens na família, os parentes de primeiro grau devem iniciar o rastreio 10 anos antes da idade em que o familiar foi diagnosticado”, orienta.

Diagnóstico precoce amplia opções de tratamento

Além de aumentar as chances de cura, o diagnóstico precoce também amplia as possibilidades terapêuticas, incluindo abordagens menos invasivas.

Segundo o médico radiologista intervencionista Charles Zurstrassen, head de Radiologia Intervencionista no A.C.Camargo Cancer Center, a radiologia intervencionista tem papel tanto no diagnóstico quanto no tratamento da doença.

“No diagnóstico, ela permite a realização de biópsias guiadas por imagem, fundamentais para análises moleculares do tumor, que ajudam a direcionar o tratamento mais adequado”, explica.

O especialista afirma que essas técnicas também podem ser usadas para tratar metástases, especialmente no fígado, órgão frequentemente mais atingido pelo câncer colorretal.

Técnicas minimamente invasivas podem ter intenção curativa

Quando as lesões são pequenas e identificadas precocemente, alguns procedimentos minimamente invasivos podem até ter intenção curativa.

“Quando o câncer colorretal é identificado nas fases iniciais, as chances de cura podem ultrapassar 90%. Se as metástases são detectadas ainda pequenas, especialmente no fígado ou pulmão, é possível indicar tratamentos minimamente invasivos com intenção curativa”, afirma Zurstrassen.

Entre as principais técnicas estão a ablação por radiofrequência e por micro-ondas, indicadas principalmente para tumores menores que três centímetros.

Quanto menor o tumor e menor o número de lesões, maior a chance de utilizar abordagens menos agressivas, com recuperação mais rápida e menor impacto na qualidade de vida.

Ampliar o rastreamento ainda é desafio

Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, especialistas afirmam que um dos principais obstáculos ainda é ampliar o acesso aos exames de rastreamento.

Para Alessandra Leite, o problema envolve tanto a falta de informação quanto barreiras estruturais.

“O câncer colorretal é uma doença muito comum no mundo e estamos observando o aumento de casos em pessoas jovens. Por isso é fundamental fazer a busca da doença mesmo sem sintomas”, afirma. Ela ressalta que, no sistema público de saúde, a dificuldade de acesso à colonoscopia ainda é um dos principais entraves para ampliar o diagnóstico precoce no país.

Enquanto isso, médicos reforçam que a conscientização da população continua sendo uma das ferramentas mais importantes para mudar o cenário da doença.

 

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