Rastreio amplia diagnóstico precoce de câncer colorretal, diz estudo

Pesquisa com mais de 278 mil pessoas indica que colonoscopia e teste de fezes aumentam a detecção do câncer colorretal em estágio inicial

atualizado

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Ilustração colorida de intestino - Dor confundida com cólica leva jovem a descobrir câncer de intestino - Metrópoles
1 de 1 Ilustração colorida de intestino - Dor confundida com cólica leva jovem a descobrir câncer de intestino - Metrópoles - Foto: AlexLMX/Getty Images

O rastreamento do câncer colorretal pode aumentar de forma significativa o número de diagnósticos em estágio inicial, especialmente nos dois primeiros anos depois da realização dos exames. É o que mostra um novo estudo publicado na revista Nature Medicine nesta sexta-feira (20/2), conduzido por pesquisadores da Universidade de Uppsala e do Instituto Karolinska, ambos na Suécia.

O câncer colorretal está entre os mais comuns no mundo, sendo o terceiro tipo de tumor mais frequente em homens e o segundo mais comum em mulheres, segundo dados da OMS. Assim como em outros tumores, a detecção precoce é fundamental para ampliar as chances de tratamento e reduzir o risco de morte.

Segundo os pesquisadores, tanto a colonoscopia quanto o teste imunoquímico fecal (FIT) levaram à identificação de mais casos em fase inicial, período em que as intervenções são mais eficazes e menos invasivas.

Como o estudo foi feito

A pesquisa faz parte do estudo sueco SCREESCO, iniciado em 2014 para comparar duas estratégias de rastreamento do câncer colorretal com a ausência do rastreio.

Mais de 278 mil pessoas, todas com 60 anos, foram selecionadas a partir dos registros da Suécia. Em seguida, eles foram divididos de forma aleatória em trê s grupos diferentes:

  • Colonoscopia primária: os participantes fizeram a colonoscopia, exame que permite ver o interior do intestino e retirar possíveis lesões durante o procedimento.
  • Teste imunoquímico fecal (FIT): os voluntários fizeram, em casa, dois testes de fezes que identificam quantidades pequenas de sangue invisíveis a olho nu. Se ao menos um dos exames desse positivo, a pessoa era encaminhada para colonoscopia. Esse processo foi repetido duas vezes, no início do estudo e de novo no terceiro ano.
  • Tratamento padrão (grupo controle): os participantes não fizeram exames de rastreamento, servindo como base de comparação.

Todos foram acompanhados de 2014 até 2020 por meio dos registros de saúde, o que permitiu que os pesquisadores comparassem quantos casos de câncer surgiram, em que estágio foram diagnosticados e se foi observada alguma diferença entre os grupos.

Mais diagnósticos precoces e menos casos avançados

Os resultados indicam que os dois métodos de rastreio — colonoscopia e FIT — ampliaram a detecção dos tumores em estágio inicial, principalmente nos primeiros dois anos, quando a maioria dos exames foi realizada.

Além disso, houve redução no número de casos avançados nos grupos que fizeram o rastreamento. O maior efeito foi visto entre os participantes que realizaram o teste FIT: 0,61% desenvolveram câncer colorretal, em comparação com 0,73% no grupo controle.

Outro ponto destacado pelos autores é a possibilidade de identificar e remover as adenomas, lesões com potencial para evoluir para câncer. A retirada dessas alterações durante a colonoscopia pode ter um efeito de prevenção contra o câncer colorretal.

Recorte de papel representando a anatomia do intestino humano sobre fundo bege - Rastreio amplia diagnóstico precoce de câncer colorretal, diz estudo - Metrópoles
O sangramento pelo reto ou sangue nas fezes pode ser um dos primeiros sinais do câncer colorretal

Riscos e segurança dos exames

O estudo também avaliou possíveis efeitos adversos associados ao aumento do número de colonoscopias. Foi observado um leve crescimento nos casos de sangramento gastrointestinal e na formação de coágulos sanguíneos, principalmente no primeiro ano. Ainda assim, esses eventos foram considerados raros, e a mortalidade geral foi semelhante entre os três grupos.

Próxima etapa do estudo

Os pesquisadores pretendem acompanhar os participantes até 2030 para verificar se o rastreamento, além de aumentar as chances de diagnóstico precoce, também diminui a mortalidade por câncer colorretal.

Segundo os pesquisadores, a expectativa é de que os dados finais confirmem o benefício dos métodos de rastreio, reforçando a importância da detecção precoce como forma de prevenção e controle da doença.

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