Criação do Instituto Hospital de Base expõe queda de braço no MPDFT
Promotores Jairo Bisol, da 1ª Prosus, e Marisa Isar, da 2ª Prosus, travam uma disputa para saber quem fiscaliza IHBDF
atualizado
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A criação do Instituto Hospital de Base do DF (IHBDF) tem desencadeado debates e disputas que transcendem ações judiciais movidas por sindicatos contrários à proposta. O grande projeto do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) para a saúde do Distrito Federal transformou-se em querela no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
De um lado, o titular da 1ª Promotoria de Defesa da Saúde (1ª Prosus), Jairo Bisol, está alinhado ao Executivo local e defende as mudanças no maior hospital do DF. À frente da 2ª Prosus, a promotora Marisa Isar é contra a medida. Para tentar impedir a metamorfose no modelo de gerenciamento do maior hospital da capital do país, ela ajuizou inúmeras ações com questionamentos.O entreveiro fez Bisol entrar com um pedido de conflito de atribuições na Câmara de Coordenação e Revisão do MPDFT, setor responsável por mediar contendas dentro na instituição. A decisão do órgão foi favorável a Bisol, que recebeu carta branca para fiscalizar o caso sozinho.
O pedido feito pela 1ª Prosus contra a 2ª Prosus é mantido em sigilo. A reportagem solicitou o documento ao MPDFT, mas não foi atendida. O promotor também não enviou o texto, mas confirmou ao Metrópoles a formalização do documento.
Entrei com o pedido de conflito de atribuições na Câmara. Tratava da questão (do Base) há mais de um ano, quando a colega (Marisa Isar) fez a solicitação. Não pode dois promotores cuidarem do mesmo assunto, isso não é normal no MP. Então, entendo que as atribuições são de quem abordou o tema primeiramente.
Jairo Bisol, promotor de Justiça
Para esvaziar as competências da 2ª Prosus no caso do IHBDF, Bisol encaminhou um documento à Secretaria de Saúde determinando que qualquer assunto sobre o instituto seja tratado unicamente pela 1ª Promotoria.

Fiscalizador ferrenho da gestão de Agnelo Queiroz (PT), o promotor tem adotado postura mais branda na gestão Rollemberg. Nos assuntos referentes ao instituto, não tem criado objeções. Marisa Isar, por sua vez, entende que o tema carece de mais debate com a sociedade.
“As decisões dos gestores públicos, principalmente na área da saúde, devem ser embasadas em estudos aprofundados para que não se façam escolhas aventureiras e sem respaldo técnico, que podem agravar o caos já instalado na saúde pública”, disse, em nota publicada no site do MPDFT em abril deste ano.
Marisa Isar é conhecida por ser mais combativa e fiscalizadora em relação à atuação da Secretaria de Saúde. Sua promotoria é responsável por ajuizar inúmeras ações, inclusive uma de improbidade administrativa contra o secretário de saúde, Humberto Fonseca, por falta de aparelhos de ressonância magnética. O secretário ainda foi responsabilizado pela equipe dela por ausência de telefones fixos na pasta.
O Metrópoles tentou contato com Marisa, mas o Ministério Público informou que “a promotora não atua mais nesse caso, portanto, não concede entrevistas sobre o assunto”. O MPDFT disse, ainda, que a opinião pessoal dos promotores não conta para decisões judiciais.

O processo de criação do IHBDF encontra-se suspenso desde de 6 de setembro. O Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) determinou a modificação do estatuto social do instituto de “serviço social autônomo” para “fundação pública com personalidade jurídica de direito privado”.
Na prática, isso significa que a entidade fará parte da administração indireta e, por isso, terá de se submeter à Lei de Licitações e à regra de concurso público, entre outras limitações decorrentes dessa natureza jurídica. O GDF recorreu.
Linha do tempo
Ação judicial
A dúvida sobre a imparcialidade do promotor levou o advogado Paulo Goyaz — a pedido do Sindicato dos Médicos (SindMédico) — a requerer liminar de suspeição e impedimento para Bisol tratar o tema. Goyaz fez o pedido junto à Corregedoria-Geral do MPDFT, em agosto.

À época, o advogado alegou que “falta ao promotor isenção para fiscalizar o IHBDF, posto haver defendido a sua instituição, na fase legislativa, não possuindo qualquer condição de atuar, de forma imparcial, em relação à lei aprovada”. No documento, ele lembra que Bisol teve um encontro com o Secretário de Saúde, Humberto Fonseca, antes da criação do instituto.
O diretor interino do Hospital de Base, Ismael Alexandrino, trabalha na transição do hospital para o instituto. Ele preferiu não comentar as polêmicas e limitou-se a dizer atuar para melhorar o atendimento. “Estamos trabalhando para melhorar a saúde, com ou sem instituto”, afirmou Alexandrino.














