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Saúde

Covid: instituto que defendeu cloroquina tem erros em 1/3 dos estudos

Segundo análise divulgada em agosto, IHU teve erros em 1/3 dos artigos científicos produzidos entre 1994 e 2024

21/08/2026 13:55
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Ilustração do vírus da Covid no corpo humano - Metrópoles

Uma análise publicada em 12 de agosto pelo jornal Research Integrity and Peer Review aponta erros em pelo menos 1/3 dos artigos publicados pelo instituto francês que promoveu o uso da hidroxicloroquina para Covid-19 durante a pandemia.

A publicação identificou problemas éticos e legais em 853 dos 2.674 estudos conduzidos pelo Institut Hospitalo-Universitaire Méditerranée Infection (IHU), no período entre 1994 e 2024.

Dos erros detectados, 78 estavam relacionados a pesquisas biomédicas que supostamente não cumpriram as exigências estabelecidas pela legislação da França; 343 estudos não possuíam aprovação do comitê de ética; e em dezenas de outros artigos há casos em que as aprovações foram obtidas depois que já tinham começado.

Assim, a análise do periódico mostra que as irregularidades vão além das questões burocráticas, pois comprometem a confiança do público e a credibilidade do processo científico.

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Artigos retratados

Nos últimos anos, aproximadamente 64 artigos foram retratados pelo instituto, enquanto 270 receberam uma manifestação de preocupação. Dessa forma, a equipe responsável pela análise pede que sejam feitas novas revisões nos trabalhos do IHU, com o objetivo de corrigir registros científicos, caso seja necessário.

Outro ponto levantado pela equipe foi a supervisão realizada pela Universidade Aix-Marseille, responsável pelas atividades científicas do IHU, já que as práticas inadequadas podem comprometer a aprendizagem dos alunos em relação aos estudos científicos.

A universidade relatou em comunicado que tomou todas as medidas necessárias após ser alertada sobre os problemas em 2020, e realizou investigação própria e a enviou às autoridades competentes.

Visibilidade do IHU ao dizer que hidroxicloroquina poderia ser eficaz contra Covid-19

No início da pandemia, em março de 2020, o IHU obteve notoriedade mundial após o fundador e pesquisador francês Didier Raoult publicar um estudo afirmando a suposta eficácia da hidroxicloroquina, combinada ou não à azitromicina, para tratar a Covid-19. O trabalho chegou a ser elogiado por Donald Trump, na época.

Porém, cientistas criticaram e questionaram o estudo dizendo que não havia evidências suficientes e que também havia falta de ensaio clínico. Em 2025, o artigo foi retratado por motivos científicos e éticos, mas já havia sido citado em outros trabalhos.