Covid-19: Fiocruz prevê cenário crítico para as próximas semanas

Boletim indica aumento de casos e mortes entre pessoas de 20 a 59 anos. Sul e Centro-Oeste têm as maiores taxas de mortalidade do país

atualizado 10/04/2021 11:29

movimento de enterros e carros de funerária no cemitério vale da paz, em goiânia, goiásVinícius Schmidt/Metrópoles

Com 31.506 óbitos por Covid-19 registrados no Brasil até agora, o país vive o pior momento da pandemia. De acordo com o mais recente Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz, a comparação entre a Semana Epidemiológica 1 (3 a 9 de janeiro de 2021) e a número 12 (21 a 27 de março) sinalizou um aumento global da doença de 701,58%.

A situação tende a se agravar ainda mais, especialmente entre os mais jovens. Segundo a estimativa da Fundação Oswaldo Cruz, os casos de Covid-19 aumentaram 1.218,33% na faixa etária de 30 a 39 anos, 1.217,95% entre pessoas com 40 a 49 anos e 1.144,94% para indivíduos de 50 a 59 anos.

A comparação mostrou um crescimento global de 468,57% com relação aos óbitos causados pela doença. As faixas que mantiveram crescimento superior ao global foram 20 a 29 anos (872,73%); 30 a 39 (813,95%); 40 a 49 (880,72%); 50 a 59 (877,46%); e 60 a 69 anos (566,46%).

Entre as pessoas de 20 a 29 anos, uma revisão de dados mostrou que, durante a semana epidemiológica 10 (7 a 13 de março) passou a apresentar crescimento de 876% — antes da atualização, esta taxa era de 256%. Nessa análise mais recente, referente à semana epidemiológica 12 (21 a 27 de março), o crescimento foi de 740,8%.

Nas semanas epidemiológicas 12 e 13 (21 de março a 3 de abril), o Brasil apresentou uma média diária de 72 mil casos e 2,7 mil óbitos, com tendência de aumento nos últimos dias desse período, chegando a valores superiores a 4 mil óbitos, de acordo com o documento.

As maiores taxas de incidência de Covid-19 foram observadas em Rondônia, Amapá, Tocantins, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Distrito Federal. Taxas de mortalidade elevadas foram verificadas em Rondônia, Tocantins, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

“Esse padrão coloca as regiões Sul e Centro-Oeste como críticas para as próximas semanas, o que pode ser agravado pela saturação do sistema de saúde nesses estados“, escreveram os pesquisadores.

A demora para vacinar a população está entre uma das causas apontadas pelos especialistas para as taxas elevadas de contaminação e mortes. Durante o período de análise, somente 13% dos brasileiros acima de 18 anos haviam recebido a primeira dose e 3,68% a segunda.

“É preciso que haja convergência e integração dos diferentes poderes do Estado brasileiro (Executivo, Legislativo e Judiciário), assim como os diferentes níveis de governo (municipais, estaduais e federal), com participação das empresas, instituições e organizações da sociedade civil (de nível local ao nacional) para o enfrentamento deste momento bastante crítico e grave da pandemia”, alertam os pesquisadores.

Veja como o coronavírus ataca o corpo:

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