Coronavírus: por que nível de alerta subiu no Brasil e no mundo

Ministério da Saúde confirmou que 3 casos estão sendo investigados para o novo vírus e outros 4 países registraram transmissão interna

atualizado 29/01/2020 6:33

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As informações de que há três casos suspeitos de coronavírus no Brasil e que, em outros países, foram registrados pacientes com a doença que não estiveram na China aumentaram o alerta em relação à probabilidade de surtos locais pelo mundo.

No Brasil, o Ministério da Saúde confirmou na terça-feira (28/01/2020) à noite que estão sendo investigados pacientes com sintomas da doença em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e no Paraná. Ao contrário das situações noticiadas na semana passada, desta vez os casos suspeitos se enquadram nos critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os pacientes que estão em observação no Brasil apresentaram febre e, pelo menos, um sinal ou sintoma respiratório, e viajaram para a área de transmissão local nos últimos 14 dias.

Já na Alemanha, no Japão, Vietnã e em Taiwan apareceram casos em que as pessoas infectadas não estiveram na China – ou seja, a transmissão em território diferente de onde está o epicentro da doença. ” A transmissão não está mais restrita à área endêmica, isso é um sinal de que a doença pode estar se espalhando em outros centros”, afirma o infectologista Werciley Saraiva Júnior, chefe da Infectologia do Hospital Santa Lúcia. “A recorrência de situações assim é que vai determinar o grau de propagação do vírus”, ele completa.

Para especialistas, as características marcantes do novo coronavírus são: capacidade de contágio alta e letalidade baixa. Desde que as primeiras notícias sobre a misteriosa pneumonia chinesa surgiram, em 31 de dezembro, cerca de 6 mil pessoas já foram contaminadas e 132 morreram, de acordo com as informações divulgadas pelo governo chinês na terça-feira (28/01/2020).

“Até aqui o que sabemos é que as pessoas que estão morrendo têm a saúde mais fragilizada: são hipertensas, diabéticas ou idosas, com a imunidade mais reduzida”, afirma o sanitarista brasileiro Jarbas Barbosa, diretor-assistente da Organização Pan-Americana da Saúde.

Isso não descarta, entretanto, a necessidade de medidas de contenção que devem ser adotadas nos países. “No mundo globalizado de hoje, é possível que chegue em qualquer país do mundo algum viajante que veio de uma área onde há transmissão. É importante estar alerta para detectar precocemente um caso e prevenir que se transmita para outras pessoas e evitar que haja surtos”, explica Barbosa, em entrevista à BBC.

Por ser um vírus novo, os infectologistas não arriscam prever como será o cenário daqui para frente. Uma hipótese seria a de que a propagação da doença se desenvolveria em uma espécie de curva em U, ascenderia até determinado ponto e depois diminuiria. Mas, como o epicentro está na China, é arriscado prever o comportamento da doença em cenários e organismos tão diversos.

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