Coronavírus pode ser transmitido pelo cocô? Pesquisadores dizem que sim

Pesquisa chinesa encontrou o vírus nas fezes de pacientes contaminados e alerta para a possibilidade de contágio via aerossóis

atualizado 26/05/2020 13:21

banheiroPurestock/Getty Images

A convivência com a pandemia da Covid-19 – doença infecciosa provocada pelo novo coronavírus – abriu várias linhas de pesquisa científica no mundo inteiro. Entre elas, uma das mais importantes é a que investiga as formas de contágio. Um estudo recente na China mostra que as fezes podem ser uma fonte de contaminação por contato fecal-oral ou fecal-respiratório.

A pesquisa aprovada pela Comissão de Saúde da Província de Guangdong e pelos Comitês de Ética da Universidade Médica de Guangzhou analisou fezes de 28 pacientes, sendo que o vírus foi detectado nos excrementos de pelo menos 12 deles.

A partir daí, os profissionais tentaram isolar o patógeno a partir de três amostras e verificaram que, em duas delas, ele era viável – ou seja, estava passível de contaminar outras pessoas. O caso de um paciente de 78 anos foi usado para comprovar que o vírus infeccioso nas fezes é uma manifestação comum da Covid-19.

O paciente passou pouco mais de um mês internado antes de morrer. Durante esse período, os pesquisadores fizeram várias coletas das fezes dele e todas detectaram a presença do Sars-CoV-2. Mas, como outra pessoa teria contato com fezes contaminadas?

Onde mora o perigo e como evitar
O caso foi comparado pelos pesquisadores com a pandemia de Sars de 2003. Na ocasião, 42 pessoas morreram em um condomínio residencial com 329 moradores – todos estavam em isolamento.

A investigação da estrutura do edifício mostrou que tubulações de esgoto com defeito levaram à aerossolização de fezes contaminadas – ou seja, a partir de uma espécie de “nuvem de cocô”, o vírus se espalhou entre os moradores.

Diante desse cenário, a pesquisa chinesa alerta para os cuidados necessários de precauções para evitar a transmissão potencial de Covid-19 a partir das fezes. Os médicos ressaltam a atenção com a limpeza, sobretudo em ambientes hospitalares que cuidam de pacientes em estado grave por coronavírus. Pessoas que convivem com familiar infectado, também devem redobrar os cuidados na higienização do banheiro e no descarte do lixo.

Publicado na Emerging Infectious Diseases, o estudo destaca, ainda, que amostras coletadas após 29 dias de sintomas encontraram apenas fragmentos do RNA do vírus e, portanto, não seriam capazes de infectar ninguém.

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