Coronavírus: ministro diz que Brasil está em “perigo iminente”

De acordo com Luiz Henrique Mandetta, situação veio com caso de paciente suspeita que esteve em Wuhan, na China

Rafael Carvalho/Governo de TransiçãoRafael Carvalho/Governo de Transição

atualizado 28/01/2020 18:05

Em entrevista coletiva nesta terça-feira (28/01/2020), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que a pasta subiu o comitê de emergência para nível 2, que significa “perigo iminente”.

A principal mudança é a vigilância: a Organização Mundial da Saúde (OMS) alterou a atenção para qualquer pessoa vinda da China – antes, eram só os advindos de Wuhan. O uso de máscara especial pelos agentes também será adotado.

Mandetta afirmou que há um caso suspeito em investigação em Minas Gerais. Mais de sete mil situações foram analisadas, e só uma se enquadra na definição dada pela OMS.

A paciente é uma mulher de 22 anos, que esteve em Wuhan, na China. Ela relata não ter ido ao mercado de peixes, onde se acredita ser o epicentro da epidemia. Quatorze pessoas próximas à estudante estão sendo monitoradas.

Ligação de Bolsonaro

De acordo com o chefe da pasta, o presidente Jair Bolsonaro ligou pra ele e solicitou que a população seja bem informada e que o sistema de saúde se prepare da melhor maneira possível para responder à situação.

O ministro afirma que é momento de tranquilizar a população. Ele lembra que o caso não está confirmado ainda e foi importado, ou seja, não aconteceu a partir de contaminações em solo nacional.

A paciente está em quarentena, e aguarda o resultado de um exame metagenômico para confirmar ou descartar o coronavírus. O resultado deve sair até sexta-feira (31/01/2020).

Segundo Mandetta, a brasileira se encontra estável e bem de saúde, assim como as pessoas mais próximas dela. Ela veio de um voo com escala em Paris e Guarulhos, antes de seguir para Belo Horizonte.

O ministro sugere que se evite viagens à China. De acordo com o ministério, a estimativa é que cheguem 250 pessoas por dia vindas do país asiático ao Brasil.

O ministro da Saúde lembrou que os chineses são os principais parceiros comerciais brasileiros, o que demanda mais atenção. Segundo ele, a Anvisa está mapeando todos os voos com passageiros vindos da China. Material impresso está sendo preparado para distribuição.

O que se sabe do coronavírus?

O coronavírus é de uma família de vírus conhecida, desde os anos 1960, que causa doenças respiratórias — de gripe comum à Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars) e Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers). O nome faz referência à forma do vírus, que é redondo e parece ser cercado por uma coroa.

O novo coronavírus é parecido com o Sars, e ainda não recebeu uma nomenclatura específica. Ele pode ser tratado como “coronavírus de Wuhan”, ou “2019-nCoV”, como a OMS chama o vírus em suas publicações.

Os sintomas são os mesmos de uma síndrome gripal: febre, tosse e dificuldade para respirar. Em casos mais severos, o paciente pode apresentar também pneumonia, síndrome respiratória aguda forte e falência dos rins.

Últimas notícias