Composto intestinal pode ajudar a proteger fígado, aponta estudo

Pesquisa com animais indica que substância produzida no intestino pode reduzir risco de doença hepática ligada à alimentação materna

atualizado

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Ilustração colorida de fígado com problemas - Metrópoles
1 de 1 Ilustração colorida de fígado com problemas - Metrópoles - Foto: Getty Images

Um composto produzido por bactérias intestinais saudáveis pode ajudar a proteger o fígado, inclusive reduzindo riscos que começam antes do nascimento. É o que indica um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, e publicado na revista eBioMedicine em 7 janeiro.

Na pesquisa, cientistas observaram que filhotes de camundongos que receberam indol durante a gestação e a amamentação apresentaram taxas muito menores de doença hepática gordurosa ao longo da vida.

O indol é uma substância natural formada quando bactérias benéficas do intestino metabolizam o triptofano, aminoácido presente em alimentos como nozes e carne de peru.

Os pesquisadores também destacam que a alimentação materna rica em gordura e açúcar pode aumentar o risco de doença hepática nos filhos. Esse quadro está relacionado à chamada doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, condição ligada ao diabetes e que pode evoluir de forma silenciosa.

“O risco é maior quando a mãe apresenta obesidade ou alimentação inadequada. Muitas vezes a doença só é descoberta quando surgem sintomas mais evidentes relacionados ao fígado”, afirma Jed Friedman, diretor do Centro de Diabetes Harold Hamm da OU Health, em comunicado.

O que é gordura no fígado?

  • Popularmente chamada de gordura no fígado, a esteatose hepática acontece quando as células do órgão acumulam gordura em excesso.
  • Nos estágios iniciais, a condição costuma ser silenciosa e não apresenta sintomas evidentes.
  • À medida que progride, porém, podem surgir dores abdominais na parte superior direita do abdômen, cansaço, fraqueza, perda de apetite, aumento do fígado, inchaço na barriga, dor de cabeça frequente e dificuldade para perder peso.
  • As principais causas estão relacionadas à obesidade, à diabetes, ao colesterol alto e ao consumo excessivo de álcool.
  • A doença é mais comum em mulheres sedentárias, já que o hormônio estrogênio favorece o acúmulo de gordura no fígado. Ainda assim, pessoas magras, que não bebem, e até crianças também podem desenvolver a condição.

Possível caminho para prevenção precoce

Embora o estudo tenha sido feito em animais e ainda não possa ser aplicado diretamente a humanos, os resultados apontam caminhos para a prevenção precoce.

Segundo os pesquisadores, estratégias voltadas à saúde do microbioma intestinal materno podem influenciar o risco futuro de doença hepática nos filhos.

Hoje, quando a doença já está instalada em crianças, a principal recomendação continua sendo a perda de peso, já que ainda não existem medicamentos aprovados para tratamento específico. Para os cientistas, investir em prevenção desde a gestação pode ser mais eficaz do que tentar reverter o problema depois.

“Qualquer medida que ajude a melhorar o microbioma materno pode reduzir a chance de desenvolvimento da doença hepática nos filhos. Isso pode representar um avanço importante na prevenção”, afirma Karen Jonscher, professora de bioquímica e fisiologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Oklahoma e uma das autoras do estudo.

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