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Médicas explicam como os remédios para dormir agem no corpo

No Brasil, a venda de remédios para dormir aumentou nos últimos anos. Embora facilitem o adormecer, também podem alterar o ciclo do sono

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Foto colorida de mulher deitada na cama com remédios para dormir em cima da mesa - Como os remédios para dormir agem no corpo
1 de 1 Foto colorida de mulher deitada na cama com remédios para dormir em cima da mesa - Como os remédios para dormir agem no corpo - Foto: Sergey Mironov/Getty Images

No Brasil, o consumo de remédios para dormir cresce a cada ano, e os benzodiazepínicos estão entre os fármacos mais vendidos do país. Embora auxiliem no início do sono, eles podem modificar o ritmo natural da noite e provocar efeitos no dia seguinte.

O uso desses remédios tem aumentado em função de noites mal dormidas, excesso de estresse e rotinas marcadas por estímulos constantes, como telas e dispositivos eletrônicos. Dados coletados pela Associação Brasileira do Sono (ABS) mostram que, em média, 73 milhões de brasileiros sofrem com distúrbios do sono.

O sono humano é formado por ciclos que se repetem ao longo da noite. Entre eles estão as fases NREM — que incluem desde o sono leve até o sono profundo — e o sono REM, essencial para memória, aprendizado e equilíbrio emocional. Os medicamentos atuam diretamente nesse ciclo, induzindo o adormecer.

O que acontece no cérebro com remédios para dormir

Os remédios para dormir ajustam a atividade das redes neurais que controlam o ciclo sono-vigília, que é o ritmo natural de alternância entre os períodos dormindo e acordado ao longo de 24 horas. Ele regula a hora de adormecer, a duração do sono e os momentos em que o corpo e o cérebro estão mais alertas durante o dia.

Os fármacos atuam principalmente sobre o GABA, um neurotransmissor que funciona como um “freio” natural do cérebro, diminuindo a excitação das células nervosas e promovendo sensação de calma e relaxamento. Ao reforçar essa ação, eles ajudam a iniciar o sono, mas não reproduzem integralmente a sequência de fases e os ritmos que caracterizam um descanso natural e reparador.

“Os indutores do sono não simplesmente ‘desligam’ o cérebro. Eles modulam neurotransmissores que regulam o ciclo sono-vigília, como o GABA, reduzindo a atividade neuronal e promovendo um estado de relaxamento”, diz a psiquiatra Milliane Rossafa, que atende em Criciúma (SC).

Essa modulação altera o equilíbrio entre as diferentes fases do sono. A redução do sono profundo e do REM compromete funções importantes, como a consolidação da memória e o processamento emocional, explicando por que, mesmo após várias horas dormindo, a pessoa pode não se sentir totalmente descansada.

“Os hipnóticos benzodiazepínicos geralmente aumentam o tempo em sono NREM leve, mas reduzem o sono profundo e o sono REM, alterando a arquitetura natural do sono”, explica Thaís Augusta, neurologista e neurofisiologista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.

Em alguns casos, o efeito residual da medicação permanece ao despertar, provocando sonolência, lentidão mental e a chamada “ressaca medicamentosa”. Esse efeito é mais comum em quem utiliza drogas de meia-vida longa — medicamentos que permanecem ativos no organismo por muitas horas antes de serem totalmente eliminados — e em pessoas com metabolismo mais lento, como idosos ou indivíduos com alterações renais ou hepáticas.

Foto colorida de remédios para dormir e alarme - Entenda como os remédios para dormir agem no corpo
Mais de 11 milhões de brasileiros, o equivalente a 7,6% da população, usam remédios para dormir. O índice é um dos destaques do último volume da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgado pelo IBGE

Efeitos do uso de medicamentos para dormir

Alguns remédios para dormir, como benzodiazepínicos, antidepressivos tricíclicos e certos inibidores seletivos da recaptação de serotonina podem reduzir o tempo dedicado ao sono REM. Por isso, alterações nesse estágio podem afetar a capacidade de aprendizado e o equilíbrio emocional.

“Essa alteração pode gerar déficits de memória e aprendizado, além de impactar a consolidação cognitiva e a regulação emocional”, destaca a neurofisiologista Thaís.

O uso frequente de remédios para dormir também pode levar o cérebro a se adaptar, reduzindo a eficácia do medicamento com o tempo. O fenômeno, conhecido como tolerância, faz com que seja necessária a administração de doses maiores para obter o mesmo efeito.

Os sinais de dependência incluem necessidade de doses maiores, dificuldade para dormir sem a medicação, ansiedade antecipatória quando a pessoa não tem acesso ao remédio e sintomas de abstinência ao interromper o uso.

Alternativas e cuidados recomendados

Além dos medicamentos, a terapia cognitivo-comportamental para insônia é a principal estratégia com resultados duradouros. Mudanças simples na rotina também podem ajudar: manter horários regulares, reduzir telas à noite, praticar exercícios, controlar cafeína e usar técnicas de relaxamento são boas dicas.

“Antes de considerar o uso de remédios para dormir, costumo trabalhar com mudanças de rotina, como estabelecer horários regulares para dormir e acordar, reduzir a exposição a telas à noite, praticar atividade física regular, evitar estimulantes como cafeína no fim do dia e introduzir técnicas de relaxamento”, sugere a psiquiatra Milliane.

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