Com 50% de compatibilidade e, mesmo assim, uma irmã salvou a outra

A dona de casa Luciene precisava de um transplante de medula óssea e não foi possível encontrar alguém totalmente compatível

De óculos, Luciene ao lado da irmã Rosana

atualizado 01/07/2019 15:38

Luciene Ferreira de Souza Alves, 46 anos, foi diagnosticada com anemia aplástica grave no final de 2017. A doença provoca um ataque autoimune contra a medula óssea impedindo a produção de sangue. Depois de seis meses de tratamento com medicamentos imunossupressores sem apresentar resultados satisfatórios, a equipe médica recomendou que ela passasse por um transplante de medula.

A maior dificuldade em casos de transplantes é encontrar um doador que seja 100% compatível com o paciente. No caso de Luciene,  não houve compatibilidade total nem dentro da família nem nos cadastros disponíveis em bancos de doadores. Foi, então, que os médicos optaram por usar uma técnica inovadora chamada de transplante haploidêntico, na qual o doador é apenas 50% compatível com o paciente.

A técnica é recente – apenas 4 pessoas já passaram por transplantes deste tipo no DF, e as chances de rejeição pelo corpo são maiores. Mas, desde que foi criado, o procedimento tem representado esperança para pessoas que não encontram doadores 100% compatíveis. A hematologista Andresa Melo, que atendeu Luciene, explica que, a chance de encontrar um doador 50% compatível dentro da família costuma ser grande. “O transplante haploidêntico é mais complexo, com risco aumentado de complicações graves, especialmente infecções, mas os resultados têm sido bastante semelhantes aos verificados em transplantes com compatibilidade de 100% “, explica.

Nesta parte da história, entrou uma das irmãs de Luciene, Rosana Rosa de Jesus Sousa, 43 anos. “A médica optou pela Rosana, porque ela era mais nova e tem somente um filho. Lembro que ela ficou radiante com a possibilidade de ser minha doadora”, conta Luciene. Rosana, que mora em Goiânia, conta que manteve a calma e a positividade durante todas as etapas do processo. “A felicidade de ajudar minha irmã numa situação destas é inexplicável”, relembra emocionada a doadora.

As células da medula de Rosana foram coletadas em uma pequena cirurgia de aproximadamente 90 minutos. Os médicos realizaram punções com agulhas nos ossos da bacia da doadora, procedimento que não causa qualquer comprometimento à saúde do doador.

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A cirurgiã na Luciene recebeu parte da medula da irmã foi realizada em 24 de maio. Ao todo, ela ficou 29 dias internada – uma semana antes do transplante e 22 dias após, para garantir a aceitação da medula da irmã como parte do organismo dela. “Após a infusão das células doadas, o paciente recebe uma quimioterapia para inativar as células reativas recebidas, conhecidas como linfócitos T. Essa estratégia reduz o risco de rejeição”, explica a hematologista Andresa.

Já em casa, Luciene se recupera bem, mas ainda segue em resguardo conforme recomendações médicas. De acordo com a médica, a dona de casa terá a chance de ter uma vida completamente normal, sem precisar fazer uso regular de medicamentos ou de transfusões frequentes de sangue. Ainda assim, o transplante acarreta riscos, especialmente nos dois primeiros anos de acompanhamento.

Dos quatro procedimentos dessa natureza já realizados no DF, três foram no Instituto de Cardiologia do DF (ICDF) e o de Luciene, no Hospital Brasília. As duas unidades são credenciadas pelo Ministério da Saúde parar realizar esse tipo de transplante, considerado de alta complexidade.

 

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