Colírio usa sêmen de porco para tratar câncer ocular em teste

Estudo mostra que partículas do sêmen levaram medicamento ao fundo do olho e reduziram o tamanho do câncer ocular em teste com ratos

atualizado

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Um estudo publicado na revista científica Science Advances na última sexta-feira (27/3) mostrou que partículas extraídas do sêmen de porco podem ser usadas para levar medicamentos até o fundo do olho — uma região de difícil acesso para tratamentos convencionais.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Farmacêutica de Shenyang, na China, testou a estratégia em camundongos com retinoblastoma, um tipo de câncer ocular, e observou redução do crescimento dos tumores e preservação da retina. Apesar dos resultados promissores, os próprios autores destacam que a técnica ainda está em fase inicial e não foi testada em humanos.

O colírio não é feito diretamente de sêmen. Os pesquisadores utilizaram exossomos, partículas microscópicas naturalmente presentes em fluidos do corpo, incluindo o sêmen.

Esses exossomos foram isolados do sêmen de porco e usados como “veículos” para transportar substâncias terapêuticas até o interior do olho. A estratégia se destaca porque essas estruturas conseguem atravessar barreiras biológicas que normalmente impedem a ação de medicamentos na retina.

Além disso, o estudo descreve que a entrada dessas partículas no olho ocorre por vias como a córnea e a conjuntiva, com participação de mecanismos celulares específicos, o que ajuda a explicar a eficiência da entrega do tratamento.

Como o tratamento funcionou

Os cientistas carregaram os exossomos com nanozimasum tipo de nanopartícula terapêuticacapazes de induzir a morte de células tumorais. Aplicadas como colírio, essas partículas conseguiram alcançar regiões profundas do olho e agir diretamente sobre o tumor.

Nos testes com animais, os resultados mostraram uma redução do crescimento tumoral e ação direta nas células cancerígenas e além disso, os experimentos indicaram ausência de sinais relevantes de toxicidade ocular durante o período analisado.

Hoje, doenças que afetam o fundo do olho, como o retinoblastoma, costumam exigir procedimentos invasivos, como injeções diretamente no globo ocular ou tratamentos sistêmicos. A nova abordagem propõe uma alternativa menos agressiva: um colírio capaz de levar o medicamento até a retina.

O que o estudo ainda não responde

Apesar do avanço, a pesquisa é considerada pré-clínica. Isso significa que os resultados ainda precisam ser confirmados em humanos antes de qualquer aplicação prática. Os próximos passos incluem avaliar a segurança a longo prazo, possíveis efeitos colaterais e a eficácia em pacientes.

Se os resultados forem confirmados em humanos, a técnica pode abrir caminho para tratamentos mais simples, menos invasivos e potencialmente mais acessíveis para doenças oculares graves.

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