
Fábia OliveiraColunas

Após relato de Leifert, médicos alertam sobre câncer ocular infantil
Especialistas reforçam que consultas oftalmológicas desde os primeiros meses são essenciais para detectar sinais de retinoblastoma cedo
atualizado
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O apresentador Tiago Leifert e sua esposa, Daiana Garbin, falaram sobre o processo de tratamento da filha Lua, de 4 anos, diagnosticada com um câncer ocular.
O casal é responsável pela campanha De Olho nos Olhinhos, que em 2025 chega à quarta edição e já impactou mais de 150 milhões de brasileiros.
A importância da conscientização
Em entrevista à revista Quem, Daiana destacou a importância da conscientização. “Chegamos tarde ao diagnóstico e ao tratamento. O caso da Lua já estava bem avançado quando descobrimos. Nós não tínhamos a consciência de que existia o retinoblastoma, nem que todo bebê deve ir ao oftalmologista aos seis meses para uma consulta de rotina. Por isso criamos a campanha: para alertar outros pais”, afirmou.
Tiago também relatou as dificuldades até a confirmação da doença. “Entre os primeiros sintomas e a consulta que cravou o diagnóstico, nós perdemos bastante tempo. Por pura ignorância, mesmo. E quando eu falava que tinha algo errado, todo mundo me dizia que era normal, que ia passar ou que eu estava exagerando”, contou.
Atenção aos sinais
A coluna ouviu especialistas para explicar mais sobre o retinoblastoma, câncer que acomete Lua. O oftalmologista Gustavo Bonfadini explicou que, apesar de raro, trata-se do tumor ocular maligno mais comum na infância.
“Ele ocorre em aproximadamente um a cada 15 a 20 mil nascidos vivos. Os primeiros sinais que os pais devem observar incluem o aparecimento de um reflexo branco na pupila, conhecido como leucocoria, que muitas vezes aparece em fotos com flash, em vez do reflexo vermelho. Outro sinal de alerta é o estrabismo, quando os olhos parecem desalinhados. Em estágios mais avançados, podem surgir vermelhidão persistente, dor ocular ou até aumento do globo ocular”, afirmou.
O também oftalmologista Pedro Fabio de Mello reforçou que os sinais iniciais podem ser sutis, mas não devem ser ignorados.
“O retinoblastoma é raro, mas afeta principalmente crianças até os 5 anos de idade. Reflexo branco na pupila, estrabismo, vermelhidão ocular ou aumento de volume do olho são indícios que precisam de investigação imediata. Quanto antes o câncer ocular for detectado, maiores são as chances de preservar a visão e garantir o sucesso do tratamento”, ressaltou.
Diagnóstico precoce
Durante a entrevista, Tiago e Daiana reforçaram a importância do diagnóstico precoce. “Oftalmologista imediatamente. Se não tiver oftalmo na cidade, avisa o pediatra. Se não tiver pediatra, corre num postinho e conversa com o médico da família”, destacou o apresentador.
Sobre esse acompanhamento, Bonfadini explicou: “O ideal é que os bebês sejam avaliados por um oftalmologista já nos primeiros meses de vida, preferencialmente até os seis meses. Essa primeira avaliação permite detectar alterações graves, como o retinoblastoma, mas também problemas comuns como catarata congênita. Depois, recomenda-se consultas periódicas, geralmente uma vez ao ano, ou com maior frequência em casos de risco, como histórico familiar da doença”.
Pedro Fabio de Mello complementou que, caso não seja possível a avaliação logo no nascimento, o reflexo vermelho pode ser checado na maternidade, o que já auxilia na detecção precoce.
“Após isso, recomenda-se nova avaliação aos 12 meses, outra aos 24 meses e acompanhamento anual até os 5 anos de idade. Para crianças com histórico familiar, o acompanhamento precisa ser ainda mais frequente”, acrescentou.
A importância dos exames
Os especialistas também reforçaram a importância dos exames. Bonfadini destacou que o teste do reflexo vermelho é o mais simples e essencial, podendo ser realizado na maternidade e repetido nas consultas pediátricas.
Quando há suspeita, exames como mapeamento de retina, ultrassonografia ocular e até ressonância magnética ajudam a confirmar o diagnóstico. Já Pedro Fabio lembrou que, em caso de alterações, exames complementares como ultrassonografia ocular, tomografia ou ressonância magnética são fundamentais para avaliar a extensão do tumor.
A história de Lua e o alerta dos médicos reforçam a necessidade de atenção dos pais aos primeiros sinais nos olhos dos filhos e da realização de consultas oftalmológicas desde cedo. No caso do retinoblastoma, cada dia pode ser determinante para o futuro da criança.





