Cientistas espanhóis criam ser híbrido de humano e macaco na China

Grupo liderado por Juan Carlos Izpisúa avança na tentativa de transformar corpos de outros animais em fábricas de órgãos para transplantes

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atualizado 31/07/2019 20:00

O pesquisador Juan Carlos Izpisúa criou pela primeira vez um ser híbrido entre humano e macaco num laboratório da China, como parte de seu projeto para transformar animais de outras espécies em fábricas de órgãos para transplantes, informa o jornal espanhol El País.

A equipe de Izpisúa alterou geneticamente os embriões de macacos, desativando genes essenciais na formação dos órgãos dos animais e, em seguida, implantou células humanas apropriadas para gerar qualquer tipo de tecido nos embriões. De acordo com o veículo espanhol, o ser híbrido formado durante os experimentos só não chegou a nascer porque os pesquisadores interromperam a gestação. “Os resultados são muito promissores”, afirmou a pesquisadora Estrella Núñez, que faz parte do grupo do geneticista.

Em outra ocasião, o mesmo grupo tinha feito uma experiência semelhante em porcos, mas não obteve o mesmo sucesso mas, em 2017, conseguiu algo parecido com camundongos e ratos – seres mais próximos geneticamente.

O campo de estudos de Izpisúa é bastante polêmico e, por isso, os experimentos foram realizados na China. De maneira geral, as experiências com seres híbridos são interrompidas depois de 14 dias de gestação, por conta dos limites éticos. Entre as questões levantadas por este tipo de manipulação genética está, por exemplo, a possibilidade de as células injetadas se transformarem em neurônios humanos no cérebro dos animais.

Na mitologia grega, as quimeras eram monstros com cabeça de leão, ventre de cabra e cauda de serpente, capazes de cuspir fogo.

Nesta quarta-feira (31/07/2019), o Japão se tornou o primeiro país do mundo a permitir o nascimento de embriões híbridos de humanos e animais para a criação de órgãos humanos. Especialistas do Ministério da Ciência japonês aprovaram a proposta de um experimento nesta direção apresentada pelo pesquisador Hiromitsu Nakauchi, da Universidade de Tóquio, que trabalha em uma área semelhante a do grupo liderado por Izpisúa.

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